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Número de cirurgias para mudança de sexo aumentam no Brasil Foto: Reprodução internet.

Número de cirurgias para mudança de sexo aumentam no Brasil

O número de cirurgias de transgenitalização, conhecida, popularmente, como “cirurgia de mudança de sexo”, aumentou em quase 6 vezes no país. Nos últimos 10 anos em que as cirurgias estão sendo realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o número de operações passou de 10 para 57 por ano. Os dados foram obtidos pelo Universa UOL, através da Lei de Acesso.

As prescrições de hormônios também cresceram de 171 para 1,9 mil entre agosto de 2008 e 2017. De acordo com especialistas, os números são considerados baixos, porém importantes.

Na prática, a cirurgia é feita em pessoas que têm disforia de gênero, ou seja, elas não se identificam com o sexo biológico. Entretanto, nem todos que se enquadram de fato desejam realizar o procedimento.

Quem quer fazer a cirurgia precisa obedecer às normas da Associação Profissional Mundial de Saúde Transgênero. Por exemplo, é preciso fazer uma avaliação médica e, a partir daí, receber um aval para tomar os hormônios que vão transformar as características físicas. 

O Ministério da Saúde cobre o atendimento com ginecologistas, endocrinologistas e psicólogos e hospitalar para transsexuais há 10 anos. Dentro desses procedimentos, estão a mastectomia (retirada de mama) e a histerectomia (remoção do útero).

As cirurgias de transgenitalização foram regulamentadas pelo Conselho Federal de Medicina nos anos 1990, mas, antes disso, alguns hospitais universitários já realizavam o procedimento com recurso do estado onde estavam alocados.

A idade mínima para procedimentos ambulatoriais é a partir dos 18 anos. Para a cirurgia, o atendido deve ter no mínimo 21 anos. Além disso, é realizado um ano de acompanhamento após o procedimento cirúrgico.

De acordo com a reportagem realizada pelo Universa, os critérios para realizar as cirurgias são rigorosos. Elaine Costa Frade, chefe do departamento de endocrinologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, afirma que antes de fazer a cirurgia, é necessário passar por outras etapas. “Por dois anos, é preciso que a pessoa passe por uma equipe multidisciplinar. Os médicos e psicólogos, nesse tempo, verificam se o atendido está apto para receber hormônios e também para fazer as cirurgias”.

Elaine acredita que os hospitais que realizam o procedimento ainda são poucos. “São só cinco serviços no Brasil inteiro que realizam as cirurgias, e falta capacitar pessoas. A USP é a única universidade que eu conheço que tem o curso que capacita profissionais da saúde, entre eles psiquiatras, endocrinologistas e cirurgiões, para os cuidados às pessoas transsexuais”.

Com relação aos hormônios, a terapia para pessoas trans surgiu no SUS em 2009. Naquele    ano, foram 171 prescrições, um custo de R$ 11,2 mil. Em 2017, foram 1.968 pedidos, sob o valor de R$ 108,8 mil.

As cidades que possuem tratamento cirúrgico e/ou ambulatorial são: São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Vitória (ES), Goiânia (GO).  O mais recente serviço credenciado pelo SUS é o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco que realizou a 1ª cirurgia em 2015.

Procedimentos cirúrgicos cobertos pelo SUS:

Redesignação sexual: retirada dos testículos (orquiectomia bilateral), amputação peniana e construção de uma vagina a partir da bolsa escrotal, além de alongamento das cordas vocais e tireoplastia para redução do pomo-de-adão.  

Cirurgias complementares: ajustes no novo órgão, cirurgia estética para correções dos grandes lábios, pequenos lábios e clitóris e tratamento de feridas operatórias.

Histerectomia com anexectomia bilateral e colpectomia: extração do útero e ovários com retirada total ou parcial da vagina.

Mastectomia simples: retirada de ambas as mamas com reposicionamento do mamilo.

Plástica mamária reconstrutiva, incluindo prótese mamária de silicone.

Tireoplastia: redução do pomo-de-adão para a feminilização da voz e/ou alongamento das cordas vocais.

Acompanhamento de usuário(a), exclusivamente, para atendimento clínico: feito por equipe multiprofissional como endocrinologista e assistente social.

Acompanhamento do usuário nas etapas do pré e pós-operatório: acontecem, no máximo, 2 atendimentos mensais, durante, no mínimo, 2 anos no pré-operatório e por até 1 ano no pós-operatório com médicos como ginecologista ou obstetra, cirurgião plástico e urologista.

Terapia hormonal: é o uso de estrógeno ou testosterona disponibilizados, mensalmente, após o diagnóstico.

Tratamento hormonal preparatório para cirurgia de redesignação sexual: hormônio (ciproterona) tomado no período de 2 anos que antecede a cirurgia.

 

Da redação com Revista Claudia

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