quinta-feira, 4 março, 2021
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“A vacina é para o bem de todos”, diz pediatra de Arapiraca que pensou “que ia morrer” de Covid-19

Pediatra Michelly Barbosa Aquino, de 44 anos, relata os dias de angústia quando precisou ser internada em decorrência da covid-19

“Tinha certeza que ia morrer”, essas foram as palavras da pediatra Michelly Barbosa Aquino, de 44 anos, profissional da linha de frente do Hospital Regional em Arapiraca, que viveu dias de angústia quando precisou ser internada em decorrência do novo coronavírus, em setembro de 2020. A profissional está curada, e tomou a primeira dose da vacina contra a covid-19 no dia 14 de janeiro. Ela contou, com exclusividade ao NN1, a sua experiência com a doença.

Natural de Maceió, Michelly reside em Arapiraca há 12 anos e é formada em medicina há mais de 20 anos. Mãe do Gabriel de 12 anos, ela pede que ninguém negligencie a doença e nem os sintomas, umas vez que todos os testes de laboratório a que foi submetida deram negativo para o novo coronavírus. A médica é do grupo de risco para a doença, é obesa, hipertensa e sedentária.

“No dia 22 de setembro eu estava de plantão, e comecei com uma falta de ar grande, passei muito mal, com dispneia, que eu não conseguia nem levantar da cadeira pra ir até a porta. Uma colega solicitou os exames de laboratório, e todos deram negativo, mas eu continuava passando mal, fiquei febril, comecei com uma tosse seca, e foi sugerido uma tomografia, com o resultado da tomografia, a médica sugeriu uma angiotomografia”, relata.

Michelly conta que o alerta acendeu quando a médica perguntou se em caso de estado grave, ela ficaria em Arapiraca ou em Maceió. “Em 20 minutos a minha irmã Michellyne, que também é médica chegou lá em casa, e disse: vamos pra Maceió?! Eu não queria ir de ir imediato, porque era a noite, mas ela insistiu, não me deixou ver o exame e tive certeza que ia morrer”. Na mesma noite ela foi para Maceió, onde ficou oito dias internada.

A médica faz o alerta para os falsos negativos. “Todos os testes deram negativos, muita gente se confia que faz o teste rápido, da negativo, e acabou, só que dependendo do tempo de evolução pode dar negativo, e você pode estar contaminado e contaminando outras pessoas”, explica.

“Os primeiros dias foram terríveis, porque tinha que ficar sem acompanhante, minha idade não permite acompanhante, o meu medo todo era ser entubada, me coloquei na condição de paciente e não de médica e os colegas me trataram. Fui muito bem tratada no Arthur Ramos”, conta.

O filho

Michelly conta que o maior medo era por causa do filho e da mãe, que é idosa. “A pessoa que cuidava do meu filho pediu demissão, e eu não tinha com quem deixar ele, que teve que ficar com a minha mãe. O que foi super angustiante, porque eu tinha medo de ter passado pro meu filho e ele passar para minha mãe”.

O filho também chegou a pensar que ela ia morrer. Michelly conta emocionada que “tem um vídeo que eu já estou melhor e brigo com ele pelo WhatsApp para que ele vá estudar e ele diz: você está no leito de morte e ainda tá brigando?!”

A pediatra passou 15 dias após a internação em isolamento e voltou a trabalhar em seguida. “Tomem os cuidados, eu sempre tomei e mesmo assim peguei o vírus”.

Até hoje, Michelly é acompanhada por médicos e toma anticoagulantes. Por causa da covid-19, no hospital, ela ficou cheia de marcas dos remédios aplicados para salvá-la da enfermidade.

Vacina

Após o susto e a felicidade de recuperação, Michelly relata que tomou a primeira dose da vacina no dia 14 de janeiro. “A gente tem que tomar a vacina sim, que é pelo bem de todos, não podemos ser egoístas, temos que pensar no próximo. Quando chegar a vez se vacinem, não é só pelo seu bem, é pelo bem da sua mãe, pelo seu pai, seu filho, de todos”.

A médica adverte sobre mensagens que circulam sobre possíveis efeitos colaterais, e a eficácia da vacina. “Graças a Deus deu tudo certo, não tive nenhum efeito colateral, tomei a vacina, é uma forma da gente se precaver de um quadro grave, é importante que todos vejam a vacina como um benefício, falam muito de que a vacina só tem 50% de eficácia, mas se analisarmos o calendário vacinal de qualquer criança, tem vacina que tem menos porcentagem e é eficaz”.

“O problema é que a população é leiga e acha que 50% é pouco, e não é, e só o fato de evitar que caso um vacinado pegue a doença, não evolua para um caso grave, já é muita coisa. Se o paciente ficar grave a ponto de ser internado, que precisa da UTI, superlota o sistema, não temos UTIs suficientes para o covid-19, porque as outras doenças e demandas continuam nos hospitais”, complementa.

Michelly enfatiza que todos devem tomar a vacina e que qualquer remédio pode ter efeitos colaterias. “Temos que ser mais coerentes, a vacina não vai matar, e qualquer remédio pode dar efeito colateral, até com uma dipirona, você pode ter uma choque anafilático e morrer. Não é por aí classificar a vacina com greves efeito colaterais, a vacina veio pra ajudar, e acredito nela sim, e tenho muita fé de que muita gente vai se salvar por causa da vacina”.

Para finalizar, muito emocionada, Michelly disponibilizou um vídeo que mostra a gratidão aos colegas.

Michelly Aquino é pediatra no Hospital Regional em Arapiraca, na Associação dos Cabos e Soldados, no CMI, Pró-criança, e em Lagoa da Canoa.

 

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