29/03/2019 às 10h23min - Atualizada em 29/03/2019 às 10h23min

Nessa dança todo mundo dança

O presidente já deve estar se perguntando: está dando certo?

Thiago Abel Pantaleão

NN1
Às vésperas de completar 100 dias na cadeira presidencial, Jair Bolsonaro deve ter motivo suficiente pra passar noites em claro e perder mais alguns fios brancos daquela cabecinha idosa. Essas preocupações devem vir de algumas pastas do secretariado que ele montou pra colocar em prática seu projeto político proposto para a nação brasileira no decorrer das eleições de 2018, e muito provavelmente o presidente já deve estar se perguntando: está dando certo?

Com o propósito de reduzir os gastos públicos, Jair reduziu os gabinetes e procurou nomear pessoas com “notória capacidade” técnica para ocupar  a esplanada dos mistérios, e até conseguiu algumas peças que tem arregaçado as mangas e procurado propor mudanças em suas áreas: Moro com seu pacote anticrime e Tereza Cristina com elevado nível de entendimento e interlocução com os setores agrícolas tem mostrado que são bons solados nas trincheiras bolsonarianas. 

Já em outras áreas, o planalto vem acumulando vergonhas alheias, é o caso da “pop gospel” Damares Alves com suas polêmicas e desconexas falas acerca de temas relacionados à família, mulher e direitos humanos. E o rei das caneladas brasilianas bolsonaristas tem sido Ricardo Velez Rodrigues que a frente da educação coleciona topadas dignas de jogo de bola em calçamento e demissões que nem Roberto Justos consegue fazer em seu reality semanal nas telinhas brasileiras.
 
O menino Neymar perderia feio no quesito queda se comparada à formação da cúpula do MEC, que em menos de três meses já acumula mais de dez demissões, teve gente que foi demitido antes mesmo de assumir o cargo e passou a ser ex do que sequer tinha sido atual.

Seria cômico se não fosse trágico, pois estamos falando do grupo que tem por princípio básico definir os rumos que a educação do país terá dentro do projeto de governo de Bolsonaro.

Pra fechar com chave de ouro, Rodrigues foi massacrado na visita à câmara dos deputados, e acabou saindo de lá numa situação bem pior daquela que entrou. Entre as saias justas merece destaque a fala da deputada Tábata Amaral do PDT de São Paulo, que disse olhando no olho do ministro, “essa falta de ações efetivas e desconhecimento de dados demonstra a sua incapacidade de estar nessa pasta”.
 
Mais uma vez finalizo com alguns questionamentos aos amigos leitores e as autoridades bolsonarianas: A educação não é prioridade nesse governo? A prática do aparelhamento ideológico nesse setor (tão criticada durante a campanha pelo então candidato e hoje presidente) vai ser o adubo para o plantio do projeto educacional nos próximos quatro anos? Não existe ninguém nesse país competente para ocupar os cargos de direção do MEC? Ações imprescindíveis desse ministério como ENEM, ENADE, SAEB, ENCCEJA ficarão à mercê da dança das cadeiras?

Quero crer que não, mas pelo andar da carruagem ainda teremos muita dor de cabeça com as peripécias e mirabolâncias do fiel discípulo do gurú Olavo de Carvalho.

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