16/04/2019 às 12h04min - Atualizada em 16/04/2019 às 12h04min

Joãozinho Pereira critica reforma da previdência de Bolsonaro

Para prefeito e líder da família Pereira, privilégios do judiciário e militares serão mantidos

Luciano Amorim
Arquivo NN1
Em um espaço concedido pela rádio comunitária Menestrel FM no último sábado (13/04), o prefeito de Teotônio Vilela, Joãozinho Pereira (MDB) abriu o coração sobre seus sentimentos a respeito da reforma da previdência. O chefe do executivo vilelense afirmou que o presidente Bolsonaro precisa assumir a frente das negociações da reforma, para que ela avance no congresso.

A manifestação pública de Joãozinho é uma ilha no meio de um oceano de prefeitos calados em relação a reforma, a primeira grande ação do governo Bolsonaro, que impacta diretamente milhões de aposentados e pensionistas. A proposta do presidente mexe inclusive com o BPC (Benefício da Prestação Continuada), valor mensal destinado a pessoas de baixa renda, muitos deles em municípios alagoanos.

“Na minha concepção, o Bolsonaro ganharia muito se fosse à televisão e dissesse: a reforma é necessária. A Dilma tentou fazer e não conseguiu, o Temer tentou fazer e não conseguiu, eu ganhei a eleição e vou ter que fazer. E pra fazer eu vou ter que cortar direitos de A, de B e de C. E aí jogar os peitos e botar a cara pra bater”, disse o prefeito.

O chefe do executivo também fez críticas à manutenção de supersalários no judiciário e nas forças armadas, enquanto a reforma mexe em benefícios de trabalhadores de baixa renda. Joãozinho afirmou que a proposta atual corta direitos dos pobres. “Não adianta pegar uma lei e jogar no congresso cortando direito de pobre, enquanto tiver um aposentado ganhando 90, 100 mil ‘conto’, e tem um que ganha salário mínimo. Não existe isso!”, ressaltou.

“O cara aposentado com 90 mil reais [nesse momento, Joãozinho é interrompido pelo radialista Flávio Oliveira, que cita o caso de um desembargador da Bahia que recebe 397 mil reais]. Não existe isso, é um absurdo. Então vamos cortar o dinheiro de quem tem lá. Não pode, o sistema é previdenciário, é público, quem tá pagando é a gente que tá trabalhando, que tá na ativa”, disse Joãozinho.

Em outro trecho da entrevista, o prefeito vilelense cita a manutenção dos benefícios dos militares, que entraram na reforma posteriormente – a economia gerada com as forças armadas está prevista em 1 bilhão de reais nos próximos 10 anos, enquanto a reforma para os civis prevê um corte de benefícios em torno de 1 trilhão no mesmo período.

“Aí o cara [militar] vai se aposentar com um salário desse? Porque é general, é coronel, tem que aposentar com salário de 50 mil reais. Não existe! Tem que ter essa reflexão, botar a cara pra bater. Ou faz isso, ou não vai resolver o problema do Brasil”, finalizou.
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