17/05/2019 às 17h31min - Atualizada em 17/05/2019 às 17h31min

A arma nos dá apenas a sensação, e não a segurança de que precisamos

No fundo, no fundo, quem quer usar arma neste país já usa

José Rocha
Reprodução Internet
Cada vez mais me impressiona, a visão equivocada que muita gente tem sobre a questão do porte de arma. Esse assunto foi aceso durante a campanha do então candidato Bolsonaro e agora reaceso com o decreto presidencial 9.785/19.

Em relação a atitude do atual presidente da república, pra mim, nada mais que o cumprimento de uma promessa de campanha. Sobre a questão da inconstitucionalidade do tal decreto, cabe as autoridades jurídicas decidirem sobre isso. Mas o problema é saber se o fato de facilitar o uso de armas de fogo vai realmente trazer mais segurança pra aqueles que vão usá-las.

No fundo, no fundo, quem quer usar arma neste país já usa. Pra se adquirir qualquer arma, basta ter a vontade e o dinheiro. Se vai comprar de forma legal ou não ai é uma outra questão.

Claro que a proibição legal inibe até um certo ponto, mas não implica na impossibilidade de se comprar e usar qualquer coisa que se queira.

Seria muito bom que o fato de colocar uma arma na cintura me livrasse de alguns males, como por exemplo, um assalto. Fosse assim, os policiais não seriam assaltados como são vez ou outra e geralmente quando eles são abordados, o principal medo é que o assaltante descubra que ele é militar. Porque? Porque sabendo que se trata de um policial, presume-se que o mesmo está armado e assim sendo, na maioria das vezes o elemento já age de forma muito mais violenta.

Resultado: a arma que estaria para proteger, termina sendo o motivo para mais violência contra quem a usa.

Portanto, ninguém se iluda, uma arma de fogo na cintura, não significa garantia de segurança. Que passa essa sensação, claro que passa pra quem usa, mas os dados, as estatísticas não provam essa garantia. O próprio Bolsonaro já foi assaltado mais de uma vez, apesar de sempre andar armado, até porque é militar do exército. Quando em plena campanha ele foi esfaqueado, estava rodeado de seguranças e todos armados. Será ironia do destino? Claro que não. É que a arma nos dá apenas a sensação e não a segurança que todos gostaríamos de ter.
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