04/06/2019 às 08h56min - Atualizada em 04/06/2019 às 08h56min

Os dinossauros estão voltando

O primeiro deles é visto com frequência na orla da Pajuçara e Ponta Verde

Luciano Amorim

Reprodução
Mas calma: o amigo leitor não está pra ler um artigo sobre a era paleolítica. Trata-se de velhos dinossauros da política, personalidades importantes do noticiário nos anos 90 e 2000. Aposentados (compulsoriamente ou não), estão se preparando para retornar às urnas, e terem seus nomes avaliados mais uma vez pelo povo.

O primeiro deles é visto com frequência na orla da Pajuçara e Ponta Verde, caminhando calmamente, e logo após o exercício tomando uma água de coco. Aposentado da política em 2014, quando deixou o governo de Alagoas, Teotonio Vilela Filho ainda ensaiou um retorno em 2018, colocando seu nome à uma das duas vagas ao senado, tendo que desistir em face do fenômeno Rodrigo Cunha.

Mas Téo está aí, sempre sorridente, e agora mais saudável – dizem os mais próximos que parou de beber e se exercita regularmente. Quem sabe entre na disputa para o senado em 2022, quando só a vaga de Collor estará em disputa.

Outro personagem cuja morte política foi decretada em 2018 é o ex-prefeito de Maceió, Cícero Almeida. Surgido da onda de repórteres policiais carniceiros alçados à política, Ciço elegeu-se prefeito de Maceió vencendo o também sumido Alberto Sextafeira, em 2004. Em 2008, o fenômeno: reelegeu-se com quase 400 mil votos, 81% do total de eleitores, em primeiro turno. Nada parecia poder parar Ciço – exceto ele mesmo.

Em 2014, numa coligação que contava com Ciço e ele mesmo, dormiu derrotado e acordou eleito deputado federal, na bacia das almas. Esperava ter 300 mil votos, acordou com a amarga realidade de pouco mais de 70 mil – ainda assim, suficientes para lhe garantir um mandato na câmara.

Foram quatro anos em que ninguém sente saudade. Nem o ex-deputado, que achava um saco ter que viajar à capital federal toda semana, nem o povo alagoano, que viu em Brasília o mais sonolento deputado alagoano em muitos anos. Em 2020, Ciço quer voltar, agora como vereador da capital. Ficará feliz em amealhar seus 10 mil votos, o suficiente para uma cadeira no parlamento mirim maceioense.

Agora quem decide é o povo. E sabe-se lá o que passa pela cabeça dele.

 

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