07/07/2019 às 22h15min - Atualizada em 07/07/2019 às 22h15min

A receita para o sucesso muitas vezes é o silêncio

Dizem por aí que peixe morre pela boca...

Arquivo da internet

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Dizem por aí que peixe morre pela boca, e confesso que tanto em sentido literal quanto figurado, essa frase é absolutamente certeira.

Assim como o peixe é fisgado ao abocanhar a isca na ponta da ferramenta do pescador, nós somos muitas vezes expostos a situações vergonhosamente desnecessárias e que podem nos “matar” se não tivermos cuidado ao usar esse nosso pedacinho de carne localizado na parte interna da boca, hoje entendo o que minha mãe sempre diz com a  célebre frase: a língua é o castigo do corpo...

Estamos entrando no sexto mês do governo do presidente Bolsonaro e a certeza que temos é que o líder da República Federativa do Brasil não cansa de nos surpreender com suas aterradoras declarações. Movido por uma necessidade diária de mostrar a tal simplicidade, o presidente coleciona gafes e mostra que não deixou para traz seu passado tenebroso dos tempos de deputado.

Suas entrevistas curtas (volta e meia encerrada diante de uma pergunta que o presidente não quer responder por ser muito polêmica) suas respostas rudes aos jornalistas, em alguns casos até criticando de forma pessoal os profissionais de imprensa (como no dia que mandou uma jornalista refazer sua formação acadêmica), as lives no facebook (com shows de horrores como a propaganda das bijuterias japonesas feitas de nióbio ou a atrapalhada explicação do ministro da educação usando os chocolatinhos para refletir sobre os cortes nas universidades) com dois ou três integrantes da equipe e sem ninguém pra questionar a veracidade das informações repassadas ao público e por fim suas cômicas (se não fossem trágicas) analogias em assuntos sérios do país.

Bolsonaro tem sido assim, quando a gente acha que ele não pode nos surpreender (negativamente) ele vai lá e mostra que é capaz de ir um pouco mais além, como quando comparou a Amazônia brasileira a "uma virgem que todo tarado de fora quer" (sim, ele disse isso!).

 
Entender a oralidade do atual chefe do planalto não é para qualquer um. Não se envergonhar e concordar com suas falas tem sido difícil até para seus mais convictos eleitores minimamente preocupados com o futuro do país. Vale sempre lembrar que a figura de um representante diz muito sobre como apostar na equipe que ele lidera, se o chefe vai mal a empresa não tem como ir bem.

Ouso dizer que nesse momento da tentativa de recuperação econômica em que o Brasil precisa demonstrar confiança ao investidor para voltar a crescer e gerar emprego, a receita precisa de um ingrediente fundamental: fechar a boca do presidente.

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