10/07/2019 às 09h34min - Atualizada em 10/07/2019 às 09h34min

Quando a natureza ajuda o governo atrapalha

O ano agrícola já acabou e plantar a essa altura é praticamente certo não colher

José Rocha
NN1
O período chuvoso, apesar de tardio, chegou em nosso estado, inclusive nos municípios sertanejos. Quem viaja rumo ao sertão pode comtemplar um verde exuberante, açudes e barragens cheios, animais se alimentando numa farta pastagem e o povo feliz com a riqueza proporcionada pela mãe natureza.

Enquanto a natureza faz a sua parte milhares de pequenos produtores rurais, que dependem de sementes doadas pelo governo estadual para o cultivo de alimentos como milho, feijão e arroz já não mais tem esperança de ter acesso às doações.

Por decisão de governador Renan Filho, para ter acesso as sementes, os produtores terão que fazer inscrição na Emater até o dia 31 de julho, medida que deve prejudicar aproximadamente 100 mil agricultores familiares em todo o estado, segundo previsão da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Alagoas (Fetag).

A orientação da Fetag-Alagoas é para que os agricultores familiares não realizarem o cadastro na Emater, porque estas sementes só servirão para ser plantadas no ano que vem. Afinal, agosto é mês de colheita e não de plantação.

O ano agrícola já acabou e plantar a essa altura é praticamente certo não colher. A distribuição das sementes deveria ter ocorrido entre os meses de abril e maio, como nos anos anteriores e já que não ocorreu até agora, infelizmente, não dá mais tempo.

O governo de Renan Filho tem dito que as sementes devem ser utilizadas pelos agricultores que usam tecnologia na lavoura, o que inclui áreas irrigadas. Mas são poucos os agricultores com essas condições, pois, nem mesmo aqueles que vivem ás margens do Canal do Sertão, com raras exceções, podem comprar o material necessário para irrigar suas terras e ajuda para isso também não existe.

Vale frisar o seguinte: o governo arrecada milhões e milhões de reais todo ano através do Fecoep (Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza) e parte desse dinheiro deve ser investida na agricultura familiar, mas ao que parece esses recursos não tem sido bem aplicados.

Por conta de tudo isso, somente em Arapiraca, aproximadamente 300 famílias de agricultores familiares terão que se virar sem a ajuda governamental, caso queiram produzir este ano. Dessa forma fica cada vez mais difícil se manter no campo, porque quando a natureza ajuda o governo atrapalha.
 
Relacionadas »
Comentários »