14/07/2019 às 21h01min - Atualizada em 14/07/2019 às 21h01min

2019 é o ano de perder!

Perder: essa tem sido uma palavra comum no vocabulário do brasileiro em 2019

Professor Abel

Reprodução Internet
Estamos em um ano em que não passamos sequer uma semana sem ficarmos perplexos com as tragédias, escândalos, mortes de grande repercussão... Luto coletivo deveria ser a expressão do ano em terras brasileiras, e, sem dúvida, o sentimento de perda é comum em momentos que nos causam dor.

Entre as perdas de 2019, a esperança (que dizem ser a última que morre) parece ter dias contados quando falamos na classe política e suas decisões neste ano.

Saímos da primeira votação em plenário do texto da reforma da previdência e de lá vieram decepções aterradoras em relação aos parlamentares na esfera federal. Alguns grupos como de policiais e professores se viram traídos por deputados que se elegeram no discurso de defesa dessas categorias e que pouco ou nada fizeram para que esses seguimentos não entrassem (por diversos fatores, aceitáveis ou não) nas regras mais rígidas de aposentadoria.

Essas categorias perderam o que? Acima de tudo, confiança em sua representatividade. Um sem número de eleitores do presidente Bolsonaro há muito tempo já falam em arrependimento do voto, ainda é cedo para tal avaliação? Talvez... mas, sem dúvida, para aqueles que votaram em Jair acreditando de fato em uma renovação da forma de fazer política esta semana foi uma das mais decepcionantes da atual gestão.

Os milhões que votaram esperando que acabasse o tal “toma lá dá cá” viram emendas parlamentares na casa do bilhão serem liberadas aos deputados que votassem favoráveis ao texto proposto pelo planalto. Se não fosse isso o pior, os que votaram em 2018 pelo fim das indicações familiares, os que aguardavam esperançosamente por um governo que tivesse valores como a meritocracia em primeiro lugar em suas indicações para cargos no alto escalão do governo ficaram quase sem ar ao ver o presidente sondar a possibilidade de indicar o filho Eduardo para ocupar a embaixada brasileira nos EUA.

Mesmo que para isso ele tenha que desprivilegiar diplomatas de carreira. Mesmo que ele não precise levar em conta que todos os embaixadores da redemocratização saíram dos melhores quadros do Instituto Rio Branco (tradicional centro de formação de diplomatas no Brasil) e seguiram carreira diplomática que os capacitou de modo singular para desempenhar tal função.

O que perdem esses eleitores? Acima de tudo, a crença que Bolsonaro realmente vai fazer um governo absolutamente novo em relação aos que o antecederam.

Perdemos juntos? Perdemos todos?

Ao viver em sociedade de fato precisamos perder em algum momento, precisamos abrir mão de alguma coisa para que o todo possa sair ganhando. Mas será que essas perdas que estamos colecionando em 2019 são boas para o coletivo? Será que estamos acostumando as perdas? Não devemos guardar mais luto pelo quê e pelos que estão indo?

Creio que devemos nos enfurecer mais diante das perdas, devemos nos indignar mais, chorar mais (tanto metaforicamente quanto literalmente falando), temos que lutar mais um pouco para que não possamos perder mais. E, se por ventura isso acontecer, que nós possamos nos despedir com dignidade e cabeça fria pra dizer, "Perdi essa, mas, dei trabalho a quem me venceu!".
 

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