30/07/2019 às 18h50min - Atualizada em 30/07/2019 às 18h50min

A metralhadora Bolsonaro

Quem será a próxima vítima?

Thiago Abel

H…LVIO ROMERO, ESTADÃO CONTEÚDO.
Uma verdadeira metralhadora, essa é a única definição possível para nos referimos as declarações do presidente Bolsonaro nos últimos dias.

Que o presidente não é um bom orador, é público. Que a vida dele foi marcada por polêmicas grotescas e desnecessárias, também é fato notório. Uma rápida pesquisa em plataformas de vídeos na internet mostra a qualquer um que é sofrível e vergonhosa a trajetória da oralidade do chefe maior da nação.

Após a chegada ao planalto o presidente não baixou o tom, os sete meses de governo são uma sucessão de tropeços e vexames que tem colocado em xeque a autonomia das instituições que tem por função maior zelar pelo bom funcionamento do Estado brasileiro.

Não usarei a palavra polêmica, ela a gente deixa pra usar quando alguém diz que o certo é bolacha e não biscoito, ou a cor daquele famoso vestido que viralizou na internet. A fala de Bolsonaro sobre a morte do pai do presidente da OAB durante a ditadura militar é acima de tudo, crime de falta de decoro diante do cargo que ocupa.

A ausência de humanidade, de educação ou simplesmente de bom senso do chefe do executivo nacional mostra o quanto nossas instituições estão frágeis diante de um governo que a cada dia se mostra insuficiente diante da grandiosidade do país.

Fico a me perguntar: onde estão os órgãos de fiscalização do poder público? Onde estão os parlamentares que se elegeram sobre um discurso de defesa da constituição federal de 1988? Onde encontramos guarita para nos proteger das aberrações que Bolsonaro dispara?

 
Não é demais lembrar que o respeito a Dignidade da Pessoa Humana é um valor imprescindível acordado internacionalmente na Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. Não é redundante afirmar que o cargo de presidente da república requer atenção redobrada nas declarações públicas, pois representa o Estado brasileiro (que não é a casa dele ou a sua página pessoal de um diário) que em seus princípios constitucionais preza pela impessoalidade no exercício de cargos da administração pública.

Jair não está fazendo um favor ao firmar e respeitar seu compromisso com a verdade e com o respeito às instituições da sociedade civil democraticamente estabelecidos, é seu DEVER (e ele pode perder o cargo se não o fizer). 
É escandalosa a série de ataques do presidente a diferentes atores sociais que não querem rezar de acordo com seu terço político, é grotesco brincar com uma morte provocada pelo Estado de Exceção que se instalou no país entre 1964 e 1985. 

Essa é sem dúvida a pior fala de Jair no exercício do mandato (não há o que questionar nesse sentido), mas, o mais gritante disso é a passividade do Estado que assiste sentado no camarote as nossas garantias individuais serem rasgadas justamente por aquele que foi eleito para nos garantir a continuidade da existência delas.

A pergunta que deixo para a reflexão dos amigos leitores é a seguinte: quem será o próximo ferido pelas falas do chefe da nação? Resistiremos às balas disparadas por Jair até o fim do mandato? Quanto de vida ainda tem o Estado brasileiro?

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