01/08/2019 às 16h49min - Atualizada em 01/08/2019 às 16h49min

Porque privatizar a CASAL é a melhor solução para a empresa e para o Estado

Qual a principal dificuldade de privatizar empresas estatais?

Samuel Magalhães
Foto: reprodução internet
Para muitos a palavra privatização causa arrepios e ainda é um grande tabu, afinal, há quem diga que empresas públicas são setores estratégicos e vitais para o Estado, algo que discordo. Em recente troca de farpas no twitter, o governador em exercício Luciano Barbosa, criticou a decisão do governo federal de vender parte das ações da BR Distribuidora, diminuindo sua participação acionária na empresa.
 
Ao comentar o assunto na rede social, Barbosa questionou a venda, dizendo ainda, “Precisamos tomar cuidado para não vender o Brasil na bacia das almas”.
 
Em resposta, o deputado Davi Lima Maia (DEM), que particularmente tem me agradado em sua atuação na Casa Tavares Bastos, disse: “Governador, a venda foi de cerca de 30 % da empresa, então acho que foi um negócio muito bom! Ganham os consumidores, ganha a concorrência! Quem perde é a burocracia e os políticos acostumados a indicar cargos na BRDistribuidora”.
 
Luciano respondeu ao parlamentar dizendo, “Bom, então já sei sua opinião. Você venderia. É bom saber”. Por fim, Maia disse que não venderia apenas a BRDistribuidora, mas que “venderia a Casal, o Centro de Convenções, o Ipaseal, a Algas, o Lifal etc”.
 
Davi, inclusive em outros momentos já fora defensor da privatização da CASAL, desde quando era secretário municipal da capital alagoana, inclusive apontando a Companhia como a maior poluidora das praias maceioenses.
 
Na Assembleia, quem tem entoado o coro de Davi, é a jovem deputada Cibele Moura (PSDB), tendo ambos tecido duras críticas a atuação da CASAL em boa parte dos municípios alagoanos, já que alguns são servidos por Serviços Autônomos (os famosos SAAE). Somando-se o aumento de tarifa (a quarta mais cara do Brasil), e a má gestão na prestação do serviço, o que resulta em desperdício de vultuosos metros cúbicos de água, aliado ao quase inexistente serviço de saneamento básico, são alguns dos motivos aptos a reforçar a ideia de privatização.
 
A conta chega mais pesada ao consumidor, pelo prejuízo dado aos cofres do Estado. É cabível lembrar que uma empresa pública não deve ficar em déficit financeiro, afinal, vai utilizar o dinheiro confiscado via impostos dos desafortunados cidadãos. Talvez seja por isso, que alguns bradem por aí que tal empresa é do povo, o que é uma grande falácia.
 
Então, qual a principal dificuldade de privatizar empresas estatais?

Não é preciso de muito para saber que uma porta permanentemente aberta para políticos indicarem protegidos para ocuparem cargos de direção, como atesta a velha tradição patrimonialista.

Apenas pense: por que os políticos disputam acirradamente o comando das estatais?  Por que políticos reivindicam a diretoria de operações de uma estatal? Que políticos comandem ministérios ou secretarias, vá lá. Mas a diretoria de operações de estatais é um corpo teoricamente técnico. Por que políticos? Qual a justificativa?
 
Simples: O dinheiro de uma estatal é muito mais farto. E, quanto mais farto, maior a facilidade para se fazer "pequenos" desvios.
 
Por fim, confesso que Davi foi bem mais além, mostrou outra boa e inegável solução aos cofres do Estado: Privatizar o centro de convenções Ruth Cardoso (que desde 2016 são feitos estudos para esse fim, e pouco se pôs em prática). Afinal, de que serve para os pagadores de impostos ver o Estado administrar e gastar de seu orçamento com aquele espaço?
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