05/08/2019 às 16h42min - Atualizada em 05/08/2019 às 16h42min

​Vamos nos tornar aquilo que mais temíamos?

Hugo Chávez está bem mais próximo do que imaginamos

Thiago Abel Pantaleão

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O que estamos assistindo em relação as decisões do governo federal nos últimos dias é simplesmente pavoroso, presenciamos a cada dia um país que se curva diante dos mais variados ataques as instituições do Estado. São entidades sérias, com solida base cientifica e respaldo internacional, que garantiram ao Brasil muito do seu prestígio internacional. 

Começando pela ANCINE que investiu e colheu bons frutos na produção cinematográfica nacional mas que está na mira do governo por produzir temas que não estão na pauta conservadora e pseudomoralista de Jair, seguindo com o caso do IBGE com sua intensa contribuição social na elaboração de políticas públicas e é atacado por revelar o gritante problema do desemprego que permanece em 2019, passando pelas universidades que tem gerado conhecimento cientifico de grande valia para áreas diversas (vale citar a UFBA e a UFF que foram pioneiras no estudo sobre os males causados pelo Aedes Aegypt), ou até o internacionalmente renomado, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, que tem dado lição ao mundo no tema monitoramento de desmatamento na Amazônia.

O que essas instituições têm em comum? Estão incomodando o governo atual revelando os traços negativos de nosso país. 

É grave o fato do presidente tentar calar esses organismos, é temeroso o momento de mordaça que vivem esses grupos por não estarem rigidamente obedientes aos ordenamentos do presidente da república e seu projeto de poder (que se demonstra cada vez mais autoritário e atrapalhado) mas é acima de tudo um momento para refletirmos se queremos ver o fim dessas instituições ou lutaremos para que elas resistam à essa onda autoritária que estamos vivendo. 

Temo muito mais pelos que virão dos que pelos que aqui estamos. Não podemos, enquanto sociedade civil esclarecida e sedenta de mudanças efetivas na sociedade ver calados o desmonte do que levamos décadas para construir. Precisamos nos colocar em estado de alerta ao ver posturas autoritárias disfarçadas de moralizadoras.
Atacar a ciência não é normal, calar os que discordam de mim não é democrático, engessar aqueles que podem (e devem) me fiscalizar é coisa de ditador, e creio com muita convicção que quem elegeu Jair Bolsonaro o fez em nome da defesa da democracia. A campanha de Jair vendeu a ideia que evitaria a Venezuela que outros grupos queriam transformar o Brasil, mas ao que parece, Hugo Chávez está bem mais próximo do que imaginamos.

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