18/08/2019 às 23h00min - Atualizada em 18/08/2019 às 23h00min

O Brasil parou?

A greve acabou, o ano virou e para muitos, o sentimento de paralisia ainda assombra o país

Professor Abel

NN1
Lembra da greve dos caminhoneiros de 2018? O sentimento geral da população era que o Brasil estava parado em meio aos caminhões que não rodavam com os produtos para abastecer a economia. A greve acabou, o ano virou e para muitos, o sentimento de paralisia ainda assombra o país.

Chegamos a agosto de 2019, de janeiro até agora já se vão mais de 7 meses de um ano que teima em não mostrar a que veio. A eleição de Bolsonaro e sua proposta econômica fez uma parcela da população brasileira acreditar que a economia iria deslanchar e de fato sair da grave recessão que vivemos desde meados de 2016.

Estamos com a taxa de desemprego em alta, com a produção industrial a passos lentos, o poder de compra do trabalhador cada dia menor, o lucro do comércio permanentemente batendo na trave de prejuízo e os indicadores de miséria e desigualdade social cada mês mais gritante... O pior de tudo isso é sentir que o país verdadeiramente PAROU.

Em meio as controversas falas do presidente, a equipe que ele escolheu para trabalhar parece estar de fato alinhada ao que o chefe do planalto faz, mais polêmica que trabalho de fato. Fechando questão em temas como a Reforma da Previdência, o governo parece não ter programa, não lança ideias, não consegue ser propositivo e demonstra que tem no oba-oba do período eleitoral seu principal campo de ação.

Os ministros atuais da equipe do governo federal não conseguem se desligar da polarização ideológica constantemente acirrada em um país que precisa de unidade e conciliação. As carências do país seguem sem muito debate ou propostas de resolução séria e a curto prazo. A Reforma do Ensino Médio e a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) criou “teia de aranha” no Ministério da Educação (MEC), os programas sociais têm cada vez menos visibilidade nas pastas que os organizam, o Minha Casa Minha Vida de tão frio já está quase congelado... E essas e tantas outras ideias tem um potencial transformador enorme se saírem do papel e ganharem efetividade.

O que esperamos? O que precisamos? Esse colunista acredita que precisamos de mais trabalho e menos polêmicas, esse que vos escreve espera de fato que o governo possa trazer ações efetivas, possa levantar debates transformadores (para melhor) e que nossa população e líderes políticos alimentem o mínimo possível essa guerra de polarização ideológica que faria inveja aos anos mais loucos da guerra fria.

Ainda dá para fazer acontecer em 2019? O governo pode mudar os rumos desse ano? A resposta é: talvez. Se o palácio do planalto lembrar que a eleição acabou e que o presidente não governa apenas para sua bolha de apoiadores fanáticos (que é cada vez menor) o país ainda tem alguma chance. Porém, se insistirmos nessa absurda guerra midiática do governo contra aqueles que não o apoiam sempre, a chance desse buraco que estamos crescer e se tonar mais lamacento e difícil de sair será absurdamente forte.

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