21/08/2019 às 22h18min - Atualizada em 21/08/2019 às 22h18min

Intervenção estrangeira na política ambiental, desmatamento, e outras coisas que não te contaram direito

Se for levado em consideração o período janeiro e julho de 2019 e o mesmo período em 2018, há um decréscimo de 0,41 % na área desmatada

Samuel Magalhães

NN1
Ninguém nega a existência de áreas desmatadas no país, mas ultimamente as manchetes de jornais nos levam a crer que em menos de 10 meses, se desmatou o que fora plantado pelos governos anteriores. Ironias a parte, nunca vi tanta gente falar sem conhecimento de causa sobre determinados assuntos, como tenho visto nas redes sociais. Aliás, rede social é um grande achado, seja para o bem ou para o mal, que o diga Umberto Eco.

Aliás, é de se estranhar que tantos amigos que defendem a dita soberania nacional (e aqui me dirijo especificamente aos que votaram em Ciro Gomes, afinal, ele é o que mais repetia esse discurso), do nada tiveram uma repentina mudança de opinião quanto aos cortes de repasses por parte de alemães e noruegueses para fundos de preservação da Amazônia. Ora, a política de Estado para o meio ambiente e o bioma amazônico, dizem respeito unicamente ao Brasil, quando da floresta em seu território.

Não podemos aceitar intervenções estrangeiras sob o discurso repetido de que a Amazônia é o pulmão do mundo. Aliás, discurso repetido nesse assunto é o que não falta! O primeiro, é aquele que aprendemos com nossos professores de filosofia e sociologia, ou até antes, no ensino de base: O mito do bom selvagem de Rosseau. Afinal, ainda tem quem acredite que índio é guardião da floresta, que são os grandes “bastiões” da defesa florestal por serem seres inocentes frente aos “gananciosos” homens brancos? Sinto lhes informar, mas o desmatamento vem de muito antes desse país se chamar: Terra de Santa Cruz.

Os próprios índios, há alguns séculos, quando nômades, por diversas vezes abriam clarões nas florestas. A própria palavra “coivara”, técnica agrícola tradicional, que consiste em derrubar a mata, limpar e tocar fogo, foi introduzida pelos indígenas que aqui se encontravam antes de 1500. Por óbvio, há quem vá dizer que não dá para comparar desmatamentos feitos pelos silvícolas, do que os feitos para utilização na agropecuária.

Da mesma forma, não dá para dizer que em 8 (oito) meses, se desmatou mais do que em outros anos. Até porque, segundo o SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), muito embora o acumulado em 12 (doze) meses tenha sido de 15%, se for levado em consideração o período janeiro e julho de 2019 e o mesmo período em 2018, há um decréscimo de 0,41 % na área desmatada.

Pior que isso, só mesmo a enxurrada de notícias desencontradas apenas para causar sensacionalismo. Uma delas falava de um dia que virou noite em São Paulo, numa ação conjunta de material particulado, oriundo de fumaça produzidas por incêndios silvestres, que em grande parte acontecem na Bolívia.

Aliás, para alguns vale tudo para associar a imagem do presidente como um Nero do século XXI, tanto que até foto de animal morto numa queima de corte de cana, é usada para sensacionalizar desmatamento na Floresta Amazônica.

Outra coisa que nem me causa tanta surpresa, é ver um país como a Noruega, que nos últimos anos vem fazendo críticas à política ambiental brasileira, ser acionista da mineradora Hydro. Para quem nunca ouviu falar da empresa, é a mesma que fora denunciada por contaminação na Amazônia (mais precisamente no Pará), segundo matéria da BBC News Brasil, em junho de 2017.

Mas será que esses países que empregam dinheiro em fundos da Amazônia, ou apoiam ONG’s, e que gostam de dar pitaco na política externa alheia, estão realmente interessados no bem-estar das populações e conservação do bioma? Sinceramente, aqui vale aquela máxima popular: Não existe almoço grátis!

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