29/08/2019 às 14h08min - Atualizada em 29/08/2019 às 14h08min

Afinal, o que quer Macron com a “internacionalização” da Amazônia?

“As pessoas terão qualquer desculpa para interferir no livre comercio e frustrar os acordos comerciais, e eu não quero ver isso”, disse o Premier britânico, Boris Johnson

Samuel Magalhães

Reprodução Internet
Emmanuel Macron, mal avaliado presidente francês, vem sugerindo uma série de medidas que contrapõem a política nacional para o meio ambiente, que vão desde restrições comerciais a medidas de intervenção estrangeira na Amazônia brasileira.

Todos sabemos que ninguém dá nada de graça, e que todo esse interesse preservacionista do presidente francês, encobre como uma “cortina de fumaça”, outros interesses que listarei abaixo:

O primeiro deles visa a melhora de sua avaliação, visando até uma reeleição. Sabemos que seu mandato não agrada nem a socialistas, nem a conservadores/ultranacionalistas, o que faz com que seu governo seja mal avaliado.

Com essas medidas, e todo esse “entusiasmo” para defender a Amazônia, Macron parece querer agradar o “eleitor verde” e mais ainda, achou uma brecha para tentar inviabilizar, ou pelo menos engessar o acordo entre Mercosul e União Europeia. Esse acordo que inicialmente fora muito bem recebido pelo Presidente francês e outros líderes europeus, foi totalmente desfavorável para o setor agroindustrial francês.

A título de curiosidade, os países sulamericanos pertencentes ao Mercosul, poderão exportar maior quantidade de carne bovina e com isenções maiores de impostos, impactando diretamente na concorrência com os produtos agrícolas altamente subvencionados pelo governo francês. Inclusive outros líderes europeus, sequer seguiram as recomendações de Macron na reunião do G7, isolando-o por completo.

Durante a semana, o premier britânico Boris Johnson acusou Macron de estar usando uma desculpa para interferir nas negociações de livre comercio, dizendo: “As pessoas terão qualquer desculpa para interferir no livre comercio e frustrar os acordos comerciais, e eu não quero ver isso”.

O segundo interesse e o que mais salta aos olhos, é a questão de exploração dos recursos encontrados em território Amazônico. Aqui não me reporto apenas aos recursos vegetais, mas principalmente aos minerais. No território que compreende a Amazônia Legal, há grandes reservas de ouro, níquel, entre outros minerais. No estado do Amazonas por exemplo, encontramos grandes reservas de gás natural, salvo engano, uma das maiores fontes no país com 11,2% de reserva nacional, segundo a Revista Exame, em matéria de setembro de 2016.

Sempre fomos ensinados que as grandes potências voltariam seus olhares para a biodiversidade e riqueza mineral existente em nossa Amazônia, e tudo isso começou com contrabando e tentativa de patentear o cupuaçu por parte de alemães e japoneses. Agora Macron volta a instigar uma intervenção, ferindo a soberania nacional, e se portando como um colonialista dos séculos XVI e XVII.

O pior de tudo é vermos pessoas daqui, que muitas vezes defenderam soberania nacional e criticaram possíveis intervenções em nosso território, sendo favoráveis e dando corda a tamanho desrespeito ao nosso país.

Aliás, eu duvido muito que Macron com sua “experiência” no cargo de presidente, fosse conseguir controlar todos os problemas existentes naquela região. Problemas que vão desde incêndios, passando por demarcações de aldeamentos indígenas, a conflitos armados. Se isso algum dia viesse a acontecer, logo veríamos um fenômeno incrível: índios descontentes utilizando coletes amarelos.

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