02/09/2019 às 18h51min - Atualizada em 02/09/2019 às 18h51min

Estamos em crise? Nós não, vocês

Um ministro do supremo ou do governo federal se preocupa quando seu botijão de gás vai acabar?

Professor Abel

Sem dúvida todo brasileiro já percebeu de forma nítida que o Estado brasileiro está em situação econômica desfavorável, e que pelo fato de vivermos essa situação desde meados de 2014 precisamos apertar o cinto e abrir mão em algum momento de algo em nome dos tempos difíceis.

Essa primeira semana de setembro chega com questionamentos sérios e preocupantes sobre os rumos da pesquisa científica no Brasil. O ministro da Ciência e Tecnologia ligou oficialmente o alerta que a comunidade acadêmica já fazia há alguns anos, o volume de recurso para a área é cada vez menor e que o impacto disso é desastroso para o país. A ausência de recursos nesse Ministério pode ser catastrófica a curto, médio e longo prazo, pois corremos o risco de perder toda nossa capacidade científica.

Mas, estamos em crise. "Sacrifícios precisam ser feitos, não é verdade? Temos que cortar na carne e os sacrifícios são gerais para que possamos superar esse difícil momento". Queria muito concordar com essa máxima, mas o que vejo é exatamente o contrário. Na alta cúpula da administração federal, os recursos para manter os luxos da corte vão visivelmente na contramão do discurso da crise.

O dinheiro está acabando, diz o governo. Mas não vemos menos seguranças, menos jantares, café da manhã mais simples, dispensa de motorista ou carro particular. Menos viagens ao exterior, férias reduzidas, redução de gastos com cartões corporativos, proibição de familiares usando bens públicos que são prerrogativas apenas do mandatário ou no máximo do cônjuge.

A crise existe, não dá para negar, mas a quem ela atinge de fato? Ela chega ao planalto? Ao Congresso Nacional? Aos Ministérios? Aos banquetes das autoridades? Absolutamente NÃO.

Crise tem na casa do pobre, do trabalhador que perdeu o emprego, do pai que não almoça no serviço pra economizar a grana do vale refeição, da mãe que vai a pé pra o serviço para juntar os vales transporte para completar a feira do mês, da família que aposentou o botijão de gás e está cozinhando (quando tem o que por na panela) na lenha... Se tem crise nesse país, aí ela está.

Falta dinheiro para manter programa social, mas o fundo partidário está garantido, as bolsas de iniciação científica que variam entre 100 e 400 reais correm o risco de serem suspensas, mas os auxílios moradia para autoridades com super salários ninguém toca.

As incoerências da gestão dos tributos vão aos poucos matando os sonhos e a vida de milhões de brasileiros. As medidas efetivas de combate a crise estão em um horizonte distante e cada dia mais inalcançável, e até lá? Continuemos nos perguntando o quanto ainda podemos resistir a essa onda que chega forte aqui na base, mas que só molha os pés do que estão nas altas cúpulas do Estado.

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