23/09/2019 às 17h29min - Atualizada em 23/09/2019 às 17h29min

A ordem é morrer!

Tem sido cada dia mais difícil, dolorido e impactante acompanhar o noticiário nacional em 2019

Thiago Abel Pantaleão

Reprodução Internet

Tem sido cada dia mais difícil, dolorido e impactante acompanhar o noticiário nacional em 2019. Cada novo dia é um novo motivo para se consumir de tudo de negativo que tem circulado nesse país.

Nos diferentes estados da nação as notícias nos soam como se estivéssemos regredindo, andando rumo aos primeiros estágios de barbárie de nossa espécie. Tortura tem sido cada dia mais cotidiana e celebrada em praça pública como se fosse o caminho mais correto para produzir justiça.

Os horrores dos crimes estão cada dia menos impactantes aos nossos sentimentos e isso é um sinal que não estamos indo bem. Temos mais de 60 mil assassinatos por ano no Brasil, número que supera nações que estão com guerras declaradas e isso deveria ser mais que um número, mais que uma estatística, deveríamos nos revoltar imensamente e guardar um luto incomensurável para cada vida perdida.

Ágatha, oito anos de idade, voltava para casa no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, foi baleada nas costas e faleceu. Leandro de Oliveira Silva, 34 anos, policial militar, levou um tiro na cabeça durante uma abordagem e faleceu. O que esses dois casos têm a ver? São exemplos terríveis de como a política de segurança que muitos de nossos gestores defendem está fadada ao fracasso. A polícia brasileira é a que mais mata e a que mais morre. Nossos agentes de segurança estão cada dia mais expostos a problemas psicológicos, depressão, ansiedade e até suicídio.

Polícia tem de matar. Policial bom é aquele que não tem sentimentos, o que não fraqueja diante da missão de punir de modo letal os criminosos. Quem pensa dessa forma não entende, não valoriza e, principalmente, não está preocupado com nossos homens e mulheres fardados nas ruas.

Não podemos priorizar a morte em nenhuma hipótese. Valorizar a vida deveria ser o caminho mais sólido a seguirmos, praticar a tolerância e o bem não deveria ser visto como sinal de fraqueza.

Apesar de tudo que estamos vivendo e vendo não devemos permitir endurecer o coração a ponto de não olharmos ao redor e nos compadecer da dor alheia. Ultrapassemos a fase da barbárie, não sejamos irracionais, choremos mais, nos revoltemos mais.

Não são números, são pessoas, são vidas, são famílias, que apesar da narrativa ideológica morreram nessa guerra absurda e sem fim, que foi criada principalmente pela ineficiência e corrupção de agentes que deveriam gerir a máquina pública com responsabilidade, justiça social e humanismo como princípios.

A menina Ágatha e o policial Leandro não podem se transformar em bandeiras das narrativas ideológicas. São faces de uma mesma moeda cruel e mesquinha de líderes falidos e pequenos que fazem de mortos números ora positivos, ora negativos para suas ações publicitárias com fins absolutamente lucrativos.

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