07/10/2019 às 08h04min - Atualizada em 07/10/2019 às 08h04min

Isolados ou aliados aos que se isolam?

É pra já ir se arrependendo?

Thiago Abel Pantaleão

Jorge Silva/Reuters

É um fato notório que o atual presidente do Brasil tem colocado nosso país em situações cada vez mais vexatórias e que nos colocam em posições absolutamente contrárias ao resto do mundo.

A presença de Bolsonaro na abertura da reunião da reunião geral da ONU em setembro passado foi um palco das mais absurdas e conspiratórias teses bolsonaristas e exportou para o mundo o quão pequeno intelectualmente é nosso chefe do executivo federal.

A série de insultos pessoais do presidente brasileiro ao francês Macron e sua esposa precederam a fala de Jair da pior forma possível, a torta de climão foi o prato mais servido na reunião. Nosso presidente permanentemente tritura os protocolos que os chefes de Estado mundo a fora fazem questão de seguir para manter a política da boa vizinhança e o nível de respeito por suas nações, e por consequência a confiabilidade dos investidores externos, nesse caso em relação a França o Messias perdeu mais uma excelente oportunidade de ficar calado.

Adicione a isso as denúncias sem provas que as ONG’s teriam sido as responsáveis pelas queimadas na Amazônia, a ideia maluca que a respeitada figura do cacique Raoni é nada mais que um fantoche senil nas mãos do capital internacional, o devaneio que o aquecimento global é uma absoluta farsa de nações que querem dominar o mundo, a tese sensacionalista que o Brasil estava a um passo do regime socialista caso ele não fosse eleito e a ideia fixa (e com muitas provas contrárias dadas pelo próprio governo como o fim do COAF ou caso Queiroz) que o atual governo é ferrenho combatente do câncer da corrupção doa em quem doer... tudo isso diante das lideranças mundiais e dos holofotes da mídia internacional.

Esse discurso agrada a quem? A que público Bolsonaro quer agraciar com essas falas que fizeram parte de sua campanha? Quantos líderes mundiais compartilham dessas teses que Jair grita como verdades absolutas? Quantas alianças sólidas conseguiremos firmar com essas posturas anticientíficas, antidemocráticas, deselegantes e retrógradas? Ficaremos isolados do resto do mundo que a muito tempo se comprometeu com pautas mais progressistas em diversas áreas?

O maior temor de muitos durante a campanha presidencial de 2018 tem se concretizado, não viramos uma Venezuela ainda, mas estamos bem perto de seguir um caminho trilhado por nações pequenas e medíocres ao longo da história, nosso futuro será se apequenar diante do mundo e nos curvar diante de países como EUA para satisfazer a meros caprichos ideológicos do presidente da república? Se o Brasil elegeu Bolsonaro para evitar esse caminho? É pra já ir se arrependendo?  

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