22/10/2019 às 08h49min - Atualizada em 22/10/2019 às 08h49min

Consumo Consciente

É o cartão de crédito ou débito que nos torna políticos

Ricardinho Santa Ritta

Reprodução Internet
O tal do Consumo Consciente é o principal ato político que existe. Há quem ache que política apenas se faça aos primeiros domingos de outubro nos anos pares com título de eleitor na mão – aquele documento que guardamos e não sabemos onde. Porém é o cartão de crédito ou débito que nos torna políticos. Principalmente quando queremos melhorar a sociedade ao nosso redor.

Quer saber o porquê, leia até o final.

Quando você toma uma decisão entre lanchar numa rede de fast-food americana franqueada ou na lanchonete do bairro. Há por trás disso uma decisão política. A rede de fast food, em geral, beneficia produtores rurais que ficam quilômetros distantes da nossa área, com produtos que são cultivados em outros biomas, utilizando transporte para uma logística impecável e que queima combustível fóssil para chegar até nós. E a lanchonete do bairro vai no mercado comprar verduras e carne, pede o pão da padaria no bairro, adquire frutas de produtores da região. Se tiver cozinha, sistema de tecnologia, pede sempre assistência técnica próxima, do olho no olho. 

O consumo consciente gera emprego local. E desenvolver a nossa região significa diminuir a pobreza local, a desigualdade social. Gerar oportunidades aos nossos próximos é dar ocupação aos desempregados e desalentados. Constituir uma política do bem que vai diminuir a violência. Isso é um dado oficial. Bairros onde temos mais desemprego, temos mais violência. O mesmo serve para cidades, estados, países. E podemos promover tudo isso com nosso suado dinheiro, escolhendo consumir do local. 

Lógico que não iremos mudar hábitos totalmente. Mas a conscientização deste ponto é um caminho a iniciar a mudança ao nosso redor.

Um exemplo simples que trago ao nosso estado de Alagoas é da cana-de-açúcar. Não vou falar de açúcar e adoçante. Mas sim do etanol. Percebe-se que temos uma gasolina mais rentável que o etanol? Não conseguimos induzir nosso próprio mercado consumidor interno a comprar o etanol que é largamente produzido em Alagoas.

Existem interesses por trás disso, a começar de indústrias que preferem exportar o açúcar com o dólar em alta que produzir etanol para nós mesmos. Porém o impacto ambiental na emissão de gases de efeito estufa dos octanos da gasolina já deveriam valer a pena para termos uma política de orientação e incentivo financeiro de consumo de etanol. Acredito que antes disso acontecer teremos os automóveis híbridos e elétricos. A política muitas vezes é lenta para mudança cultural na sociedade. Por interesses financeiros.

Por fim, cito aqui mais um grande impacto, que é governamental. Consumir cada vez mais em produtos locais gera maior arrecadação dos próprios impostos. Assim contribuímos para o fortalecimento dos cofres públicos de municípios e estados. Esse impacto é relevante, porém exige uma cobrança maior de nós mesmos, os cidadãos que exercemos nossa cidadania – seja escolhendo onde gastamos nosso dinheiro ou cobrando o retorno de nossos impostos em melhores serviços públicos.

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