11/11/2019 às 08h31min - Atualizada em 11/11/2019 às 08h31min

Um continente prestes a explodir!

Qual será o papel do nosso país nessa explosiva mistura?

Thiago Abel Pantaleão
MARCELO HERNÁNDEZ (GETTY)

Com vinte países, uma população de quase seiscentos milhões de habitantes uma capacidade de produção econômica de dar inveja ao mundo, a América Latina tem fervido nesse 2019, e isso não é tão simples como parece. 

A crise humanitária na Venezuela e no Haiti que insiste em não acabar, o retorno da esquerda ao poder na argentina, a chegada da extrema direita na presidência do Brasil, manifestações de rua extremamente violentas no Chile e o processo eleitoral turbulento da Bolívia que teve na renúncia forçada por uma movimentação militar do atual presidente Evo Morales, são indícios que o continente está fervendo e passando por mudanças estruturais que podem ser irreversíveis, algumas delas drásticas e negativas. 

O aumento da desigualdade social, da pobreza, da miséria, da violência e da radicalização política tem levado diversos especialistas políticos a reflexões profundas sobre quais as causas, e principalmente as consequências desse momento tenso que alguns países têm vivido. A implantação de políticas liberais em um continente marcado pela exploração de seus recurso naturais e de seus povos, reduzindo o papel social que o estado tem exercido (com significativos ganhos) na história recente das antigas colônias portuguesas e espanholas é um caminho para entender o a piora na vida dos sul-americanos e consequente radicalização dos mesmos. 

Por ora tivemos impactos como a mudança na sede da final da copa libertadores da América, mas e depois? O que virá? Esses eventos ficarão nesse nível de tensão? Iremos fechar os olhos para o que se desenha? Voltaremos ver grilhões nas pessoas nas ruas e relativizaremos como fazíamos no século XIX? Teremos que nos curvar diante das instituições internacionais como FMI e nos humilharmos diante das imposições políticas e econômicas que europeus e estadunidenses determinam para ceder empréstimos? 

A América Latina está prestes a convulsionar de modo altamente perigoso e isso terá implicações graves não somente em nossa geração, mas também nas que estão por vir, e qual será o papel do nosso país nessa explosiva mistura? Seremos consumidos pelas chamas ou ajudaremos a apagar esse incêndio? Exigiremos da classe política que faça o dever de casa ou teremos que padecer do desmonte do Estado e de sua estrutura social para o benefício de meia dúzia de senhores com charutos nas mãos, sentados numa cadeira presidencial jogando moedas aos pobres por pura diversão? Vale a reflexão!

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