12/11/2019 às 08h09min - Atualizada em 12/11/2019 às 08h09min

Coleta de Lixo: quando problema se torna solução

Um dos caminhos que deu êxito a Maceió foi a coleta seletiva

Ricardinho Santa Ritta

Reprodução Internet
Se tem um serviço público que consome o orçamento das Prefeituras no Brasil é a coleta de lixo. Para se ter ideia este ano de 2019, a cidade de Maceió gastará cerca de R$ 200 milhões com o lixo. Isso equivale a 8% do orçamento do município. Arapiraca deve investir cerca de R$ 25 milhões, em torno de 3% do orçamento total. Dados do Portal da Transparência, em informações que são confusas para entendimento do grande público. É sim muito dinheiro numa época em que existem inovações que transformam este problema em solução, com rentabilidade financeira.

No Brasil dois interessantes casos de sucesso vem do interior de São Paulo. Paulínia, uma cidade de 100 mil habitantes, implantou 25 estações de armazenamento subterrâneo em diversos pontos do território, evitou enchentes que custam caro na reconstrução das áreas degradadas e reduziu os custos de coleta em 30%. Itú, com 167 mil habitantes, tem outro caso bastante interessante, formulou PPP (Parceria Público Privada) para implantação de 3.330 lixeiras inteligentes. O serviço será de concessão até 2041 dando segurança jurídica para qualidade da atuação da empresa. Com isto, usando tecnologia e informações de dados, otimizaram as rotas dos caminhões compactadores reduzindo custos com combustível e equipe. É a inteligência de mercado dando eficiência na gestão de serviços coletivos, antes públicos e agora concedidas à iniciativa privada. E o melhor? Reduzindo taxas.

Maceió teve avanços, em 2014 iniciou um processo de triagem com cooperativas de resíduos. Hoje conta com 3 grandes cooperativas que mobilizam milhares de catadores com geração de renda desta atividade. É lixo gerando oportunidade de trabalho e por consequência renda para famílias que antes eram marginalizadas no submundo dos lixões. O estado de Alagoas avançou bastante com a meta de ‘zerar’ lixões a céu aberto. Os aterros sanitários estão presentes em 7 regiões administrativas que foram criadas para tratamento e destino correto dos resíduos. Ao todo foram encerradas atividades em 77 lixões que eram utilizados pelo poder público dos municípios.  

Um dos caminhos que deu êxito a Maceió foi a coleta seletiva. No Brasil iniciou ainda nos anos 1990 na gestão do então Prefeito Jaime Lerner, em Curitiba. Visionário ele implantava nas escolas da cidade para estimular a educação ambiental com crianças. Queria um resultado de médio a longo prazo. Atualmente cerca de 50% dos domicílios já separam seus resíduos.

Porém estamos em atraso, somente 18% dos municípios brasileiros possuem políticas urbanas de coleta seletiva. Logo percebe-se que há uma vastidão de pessoas que podem iniciar em suas cidades um processo que gera renda, é negócio.

O lixo, mais útil chamar de resíduo, é um problema que tem se tornado solução em diversos lugares no mundo. Exemplo de geração de renda, emprego e resgate de cidadania para cidadãos que são vistos com alto grau de vulnerabilidade social em nossas cidades.

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