29/11/2019 às 08h33min - Atualizada em 29/11/2019 às 08h33min

Qual o destino dos apoiadores do Presidente Bolsonaro, após o seu desembarque e o de seus aliados do PSL?

Quanto ao PSL de Bivar, ao que tudo indica, deve voltar a se apequenar

Samuel Magalhães
Reprodução Internet
As eleições municipais estão batendo à porta, e apesar dos vários encontros para filiações, inícios de mesas redondas para discussões em relação ao pleito, chama atenção o “efeito dominó” causado pelo desembarque do Presidente Bolsonaro e seus aliados do PSL. Algo que certamente terá reflexos nas candidaturas para o legislativo e executivo municipal.

Não é segredo para ninguém, que desde meados de março, a relação entre o presidente e alguns nomes do PSL não estava às mil maravilhas. Tudo começou com a crise envolvendo Gustavo Bebiano, passando pelo considerado traidor Alexandre Frota, que inclusive sofreu ameaças de processo no Conselho de Ética da Câmara. A mais recente polêmica, envolveu a liderança do partido e a cisma entre o Presidente da República, e o deputado pernambucano Luciano Bivar, presidente nacional da sigla, tornando o partido um verdadeiro campo minado.

É importante lembrar, que antes da chegada do presidente Bolsonaro ao partido, o PSL parecia tomar ares de partido Liberal de fato, não apenas no nome. Muitos dos que hoje estão no Partido Novo, estavam integrando o novo projeto do partido, intitulado LIVRES. Alguns parlamentares mais conservadores do PSL, eram contra inclusive a mudança do nome do partido, coisa que aliás está virando moda. Atualmente, grande maioria dos partidos brasileiros, querem deixar de lado o “P”, adotando outras denominações, como Democratas, Progressistas, Cidadania, Rede, Avante, entre outros, inclusive o novo partido do Presidente: “Aliança pelo Brasil”.

Voltando ao LIVRES e ao PSL, a resistência dos parlamentares da “velha guarda” foi tanta, que o movimento teve que dar lugar à chegada de um novo protagonista para o partido: Jair Bolsonaro, que na época havia deixado do PSC, para integrar o PEN (que virou Patriotas), tendo a garantia de que teria legenda para as eleições de 2018. Fato é, que muitos do LIVRES, se consideraram traídos por Bivar. A ala tida como “neoliberal”, crescente no partido, e crente que agora teria um espaço para disputar e angariar apoio no espectro político brasileiro, teve que se dividir, indo a grande maioria para o NOVO.

Após a chegada de Jair Bolsonaro, o plano de Bivar para salvar seu partido, sobretudo do risco de extinção, com as cláusulas de barreira impostas pelas leis eleitorais, começava a ir de vento em popa. Bolsonaro precisava de um partido para ser candidato à presidência, e o PSL precisava de novos parlamentares e filiados, para dar vida e se renovar no cenário político nacional. O plano era audacioso e bom para os dois lados, mesmo que de um lado ainda estivesse alguém que representasse pontos tão antagônicos aos que Bolsonaro propôs durante sua campanha, seu nome: Luciano Bivar.

Bivar, nada mais é do que uma espécie de “raposa velha” da política nacional. Deputado por alguns mandatos, candidatou-se à presidência da República em 2006, chegou a ser mandatário do Sport Club do Recife, inclusive envolvido em alguns escândalos, e atualmente é o 2º (segundo) vice-presidente da câmara.

Ou seja, um cidadão que tem larga experiência, principalmente quando o assunto é política. Talvez o maior ponto de discordância entre ele e o presidente da República, são as suas práticas, velhas práticas é verdade. É só ver o que aconteceu com a turma que estava à frente do LIVRES, e a situação que hoje passa o partido. Aliás, a cena que envolveu os componentes do LIVRES, para lançar suas candidaturas no âmbito federal e estadual, tendo que migrar para outras legendas, deve se repetir com os apoiadores do presidente Bolsonaro.

Ressalto que para se criar um novo partido, atualmente é necessário que se passe por um processo que pode levar um certo tempo. Inicialmente: fundação e elaboração do programa e do estatuto, registro no cartório de Pessoas Jurídicas da Capital Federal, notícia de criação no TSE, comprovação de apoiamento mínimo, e registro perante TRE’s e TSE.

O problema maior seria para conseguir esse apoiamento mínimo (atualmente de 491.967 assinaturas em pelo menos nove unidades da Federação). Primeiro porque a legislação eleitoral prevê que esse apoiamento deverá ser feito por assinatura dos eleitores não filiados a partido político, devidamente identificados, em listas ou fichas individuais, de acordo com os modelos disponibilizados pela própria Justiça Eleitoral. Inclusive está em discussão no TSE, se esse apoiamento poderá ser feito por meio digital, o que poderia beneficiar a criação do novo partido, seja pela celeridade, seja pelo apelo que o Presidente tem, quando se trata de redes sociais.

É bom lembrar que o advogado do Presidente, é o ex ministro do TSE, Admar Gonzaga, atualmente secretário geral do futuro partido e com larga experiência na área eleitoral, tendo participado da mudança de nome do PFL para Democratas, e da criação do PSD. No pleno do TSE, o Ministro Luis Felipe Salmão era o segundo a votar e pediu vista logo após o relator do processo, Ministro Og Fernandes, ter se manifestado pela rejeição da consulta sobre o tema apresentada ao TSE.

Toda essa incerteza sobre o futuro do novo partido, pode culminar numa “dispersão” dos partidários do Presidente, sendo pulverizados por diversos partidos, para os diversos cargos nas próximas eleições. Sem dúvida algo que seria prejudicial a todos, pois enfraqueceria os grupos de apoio ao presidente, e ao mesmo tempo os pretensos candidatos perderiam um elo de ligação com seu maior cabo eleitoral.

Quanto ao PSL de Bivar, ao que tudo indica, deve voltar a se apequenar. Tendo em vista que mais de 25 parlamentares no âmbito federal devem se manter fieis a Bolsonaro. Um preço caro a se pagar pela vaidade do pernambucano em querer sempre se manter no controle do partido.
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