09/12/2019 às 08h11min - Atualizada em 09/12/2019 às 08h11min

O que era diferente ficou igual

O diferente vem se mostrando igual a tantos que governaram em nome das elites coloniais

Thiago Abel Pantaleão
Reprodução Internet

O atual governo tem cumprido uma de suas principais promessas de campanha em 2018, ser diferente. 

Ser diferente não significa necessariamente que é bom ou ruim, mas apenas que alguém tem feito coisas que outras fizeram de outra forma, o ponto central nesse governo é que ele tem governado de forma demasiadamente diferente pendendo bem mais para o negativo. 

Li essa semana em uma rede social, duas coisas que fizeram pensar de forma profunda sobre o atual momento: O humorista Fábio Porchat escreveu que Bolsonaro não governa, se vinga. Já outra usuária escreveu que se Ustra fosse vivo o atual chefe do executivo nacional o daria o cargo de ministro de Direitos Humanos. Por mais tenebrosas que essas declarações sejam elas fazem todo sentido quando analisamos as demandas do governo na área de costumes e direitos sociais e de minorias. 

Colocar uma figura considerada por muitos (inclusive pelo próprio irmão) como racista na chefia da instituição que visa exatamente combater a discriminação e promover a cultura afro-brasileira foi uma das últimas cartadas claramente vingativas da pauta de costumes de Bolsonaro. 

As várias declarações do atual chefe da Fundação Palmares, mostra como pensa o atual governo sore a história do Brasil, gente que se apega a uma narrativa oficial, romântica, eurocêntrica, racista e cheia de vícios que beira a enganação e acima de tudo reproduz um sentimento de dependência e submissão ao colonizador. 

Bolsonaro está conseguindo de fato ser diferente, mas não um diferente com avanços, de fazer o que muitos esperavam para melhorar a vida de milhões, não um diferente que veio para libertar (como muitas vezes foi ferozmente defendido por ele mesmo ao longo da campanha) pelo contrário, seus projetos e ações vem para aprisionar, confiscar as liberdades de luta e representatividade que foram construídas à duras penas nas décadas recentes, o diferente vem tirar direitos (quando os antecessores visavam os construir), o diferente vem negar as raízes de um povo que sobrevive diariamente tentando se afirmar como gente. 

Resumidamente o diferente vem se mostrando igual a tantos que governaram em nome das elites coloniais que querem ver o povo aprisionado na sua pobreza e ideologia a serviço de um projeto de poder, para quem dizia que o encarnado fazia política com viés ideológico unilateral, hoje se mostra tão igual àquele que ele prometeu ser diferente.

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