10/02/2020 às 08h18min - Atualizada em 10/02/2020 às 08h18min

Parasitas

O parasita veste caro

Thiago Abel Pantaleão
Reprodução Internet

Seguem a todo vapor os planos do atual governo federal no intuito de desmontar todo o aspecto social do Estado brasileiro. A precarização, a ridicularização dos agentes públicos e por fim a privatização completa de setores cruciais para o que se espera de um Estado minimamente comprometido com o bem estar do cidadão. 

Desde a Constituição de 1988 o Estado brasileiro se acercou de um discurso de proteção do cidadão em áreas essenciais, como a saúde, a educação, a previdência... áreas que são desejadas por corporações financeiras mundo a fora, faz bilhões irem para os bolsos de alguns e transformam o cidadão em mero percentual financeiro pronto para ser abatido pelo mercado. 

Comercializar os setores que a Constituição se comprometeu a gerir com os impostos pagos pelos cidadãos tem sido a meta de vida de inúmeros agentes camuflados de "bom moço" preocupados com a saúde fiscal do Estado brasileiro. 

A fala do ministro Guedes em referência ao funcionalismo público não carece de interpretação, não é nova, não foi um ato falho, é nitidamente a visão da atual gestão federal em relação ao modelo de Estado que ele quer. A preocupação maior não é a saúde fiscal dos cofres públicos, nem a capacidade de investimento do estatal, nem tampouco a busca por garantir um Estado sólido que consiga suprir com qualidade as necessidades de seus membros, a única interpretação possível é que querem desmontar de vez todo e qualquer aspecto social do Estado brasileiro. 

Generalizar o funcionário público como parasita é mais um episódio dessa sórdida tática de jogar o povo contra o serviço público. Focar nos erros, bater na tecla que o Estado é gigante, oneroso, sucateado e não dá conta de ofertar os serviços que promete são mais passos rumo a essa completa destruição das estruturas sociais que construímos nesses mais de 30 anos de constituição. 

Quem são de fato os parasitas? O salário do funcionário mediano de três mil e poucos reais é quem está quebrando o país? É o professor, o médico, o enfermeiro, a merendeira, o agente de saúde que estão sugando e impedindo a economia crescer? Pelo visto para o governo, a resposta é sim.

Me arrisco a dizer que instituições que vivem meramente de especulação financeira, que se utilizam de informação privilegiada pra bombar na bolsa de valores ou os que ganham supersalários sem sequer ofertar uma horinha por semana em prol da função que é pago para receber, consomem bem mais o hospedeiro. O parasita real não desce para plebe, não aperta o orçamento para pagar as contas, veste linho, calça couro legítimo e não vê escorrer em sua testa um pingo de suor de um dia intenso de trabalho.

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