segunda-feira, 20 setembro, 2021
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HEA 18 anos: Operação de guerra atende 48 feridos em acidente entre dois ônibus escolares em 2017

Entre ferros retorcidos, cacos de vidros, sangue e gritos de socorro, histórias de sobreviventes de um acidente que envolveu dois ônibus com professores e estudantes de Junqueiro e Teotônio Vilela

“Se eu estivesse na frente das pessoas que cuidaram de mim no Hospital de Emergência do Agreste, agradeceria pela forma como me atenderam e também como cuidaram dos meus amigos, que foram vítimas do acidente entre dois ônibus escolares. Nem sempre temos o privilégio de sermos tratados por pessoas tão humanas. Isso se reflete no resultado do trabalho e, em todos nós que fomos salvos”.

O relato de gratidão é da estudante Dayane dos Santos Silva, uma das 48 vítimas da colisão frontal envolvendo dois ônibus escolares, ocorrida no começo da noite de 30 de março de 2017 (30/03/17), na Rodovia AL-110, no município de São Sebastião, no Agreste alagoano. Ao recordar aquela data, ela diz ter certeza que, se não fosse o HEA, muitos de seus colegas poderiam ter morrido. Isso porque, na região, apenas o Hospital de Emergência do Agreste possuía estrutura e, especialistas em trauma, para assistir, simultaneamente, a quase cinco dezenas de feridos.

Entre ferros retorcidos, cacos de vidros, sangue e gritos de socorro, histórias de sobreviventes de um acidente que envolveu dois ônibus com professores e estudantes de Junqueiro e Teotônio Vilela. As 48 vítimas da colisão deram entrada no Hospital de Emergência do Agreste, em Arapiraca, após serem levadas por várias ambulâncias. Enquanto isso, a recepção da unidade estava lotada de familiares, amigos e da imprensa, querendo saber notícias dos pacientes.

Profissionais que já haviam saído do plantão e outros que nem estavam na escala daquele dia, foram para o HEA, para ajudar os colegas a salvar vidas. Uma situação atípica, que mostrou como é o típico espirito de cooperação e união da equipe do HEA. Espírito que ajudou a salvar várias vidas, entre elas, a de Dayane dos Santos Silva.

Mais um relato

Outra vítima do acidente foi o estudante Henrique dos Santos, que tinha 22 anos de idade na época. Ele estava sentado na metade de trás do ônibus, que havia saído de Junqueiro e estava a caminho de Arapiraca.

“Estava conversando com uma professora quando percebi que o ônibus deu uma puxada na direção e só deu tempo de me perguntar: vai bater? Logo em seguida um grande barulho e o solavanco. Ouvi gritos e choros. Comecei a andar por cima das cadeiras quebradas pra tentar sair do ônibus. Pulei por uma janela e pisei em cacos de vidros. Só aí percebi que havia outro ônibus envolvido no acidente”, relata Henrique dos Santos.

Ainda de acordo com o estudante, após sair de dentro do ônibus, ele percebeu que algumas pessoas, mesmo vendo aquela tragédia, tentavam pegar bolsas e celulares dos estudantes e professores feridos. “Aí fui juntar os objetos do pessoal pra evitar furtos. Vieram ambulâncias de vários municípios. Procurei minhas amigas e vi muita gente sendo socorrida. Vi quando puxaram a Dayane pela janela, desacordada e com o rosto ensanguentado, inchado”, relatou o agora pedagogo Henrique, que ficou ferido nos pés, pernas e braço e foi atendido em São Sebastião.

Rosto

A Dayane citada por Henrique é Dayane dos Santos Silva, que tinha 20 anos naquele 30 de março. Ela dormia no momento do acidente. Só acordou após ser medicada no Hospital de Emergência do Agreste.

Ao contrário de Henrique, Dayane sofreu pancada principalmente na cabeça: Fratura no maxilar, nove dentes inferiores e quatro dentes superiores arrancados pela força do impacto. Ainda perdeu a gengiva, e teve um imenso corte na cabeça entre a testa e o alto do crânio.

A aluna de Administração Pública da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) mal conseguia falar enquanto estava internada. Ela recebeu alimentação especial por um canudo e atenção humanizada dos profissionais de saúde do Hospital de Emergência do Agreste.

Do acidente, Dayane só lembra de estar sentada atrás do motorista. “Eu estava no lado que recebeu todo o impacto. Quando consegui me comunicar, perguntei se tinham avisado aos meus pais. Recebi muita atenção de toda a equipe do hospital. Quem assumia o plantão sempre chegava com muito carinho e atenção”, recorda.

“Depois minha mãe me contou que, na recepção, os boletins médicos eram passados para os familiares dos pacientes, deixando todo mundo mais calmo. Algumas pessoas chegaram a dizer que eu tinha morrido, mas, os profissionais do hospital sempre foram muito atenciosos com minha família e os trataram com respeito. No final, pacientes e familiares receberam tratamento humanizado naqueles dias de dor e preocupação”, explicitou Dayane.

Ela contou, ainda, que o bucomaxilofacial Ricardo Whatson a atendeu tanto no HEA quanto no Hospital Regional de Arapiraca, pois ela precisou ser submetida a cirurgia no rosto. “Eu estava irreconhecível depois do acidente. O doutor Ricardo foi sensacional e sempre que me atendeu. Quase não dá pra ver minhas cicatrizes”, comemora Dayane.

“Eu realmente não lembro do acidente. Cheguei a ver vídeos e fotos, mas, nem tenho ideia de como aconteceu. Sempre lembro do pessoal do Hospital de Emergência do Agreste. Não fosse a Fé em Deus e no trabalho deles, eu nem estaria aqui pra contar esta história”, sentenciou Dayane dos Santos Silva.

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