sexta-feira, 24 setembro, 2021
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Inspirado em Thiago Silva, jogador supera tuberculose e assina contrato profissional no ASA

Expedito se destacou na base alvinegra

Com apenas 20 anos de idade, o jogador de futebol Expedito Selton já tem muitas histórias para contar. O atleta, que acaba de assinar contrato profissional com o time do ASA, nasceu e passou boa parte da infância em São Bernardo do Campo (SP). Nas lembranças de garoto, a presença constante da irmã três anos mais velha, que hoje cursa faculdade de Enfermagem e trabalha em uma unidade sentinela de Arapiraca. A mãe, que sempre o apoiou, faleceu por problemas cardíacos e complicações decorrentes da diabetes no dia 10 de fevereiro de 2019 (10/02/19). O pai, que trabalha como açougueiro, foi para a Bahia há cerca de seis meses cuidar de alguns familiares doentes. E o garoto teve que superar uma tuberculose para seguir no sonho do futebol.

O jogador, que hoje está em Arapiraca, morou durante muito tempo em Taquarana, com seus pais e sua irmã. “Sempre acompanhei meu pai quando ele ia jogar bola com os amigos, mas como eu era muito novo, aquilo era apenas mais uma brincadeira para mim. Aos 12, começou a me despertar a vontade de viver da bola. A gente morava em um sítio bem afastado da cidade e me lembro de quando uma vizinha amiga da minha mãe chegou em casa dizendo que tinha uma pessoa lá que poderia me ajudar a tentar ser jogador de futebol”, lembra Expedito.

A pessoa a quem ele se refere é o médico, hoje consagrado escritor e palestrante, Jean Rafael, que, na época, estava à frente de um projeto que ajudava a desenvolver as crianças da comunidade como médico da família, promovendo diversas atividades esportivas, culturais e de lazer. “Nosso projeto era muito sério e conseguimos colecionar memórias e histórias muito boas. Chegamos a cuidar de mais de 300 meninos e me lembro que o Expedito era um dos mais esforçados da turma. Ele estava com a gente três ou quatro vezes por semana e sempre falava que contava os dias para as atividades”¸ se recorda Jean.

Realizado em 2015, o projeto “Futebol, Saúde e Cidadania” tinha o objetivo de formar cidadãos de bem, além de oferecer cuidados de saúde e atividades lúdicas. “Conseguimos evitar que muitos garotos entrassem no mundo do álcool e das drogas. Infelizmente, hoje o Projeto não existe mais”, lembrou Jean Rafael. Fã das aulas de Educação Física, Expedito também busca uma outra meta: “A Educação Física sempre foi minha paixão, tanto que acabei de entrar na faculdade aqui na UNIP de Arapiraca”, comemora.

O começo difícil de carreira

Quando o Projeto coordenado por Jean Rafael acabou, Expedito, sempre com o apoio e a companhia da mãe, conseguiu entrar em outra ação parecida na cidade de Campo Alegre – e lá ia ele encarar 60 km para treinar. Em 2017, a primeira oportunidade de ver seu sonho mais perto de se tornar realidade apareceu: conquistou uma vaga na categoria de base do CSA, com 16 anos de idade. Tudo aconteceu, segundo ele, graças às caronas que conseguia com a sua mãe nos carros que levavam pacientes às 4h até a capital.

Acreditando no sonho do filho, a mãe de Expedito abandonou tudo e foi morar com ele mais perto do Clube, numa pequena casa onde pagavam R$ 300,00 de aluguel, em Maceió. Expedito dividia seu dia entre a escola e o Clube enquanto sua mãe fazia pequenas peças de crochê para ajudar no sustento deles na capital.

A descoberta da tuberculose

Tudo estava indo bem até que, depois de três meses na cidade grande, Expedito começou a tossir muito, principalmente durante a noite. Quando sua mãe percebeu que aquela tosse persistia, resolveu levá-lo para fazer alguns exames médicos e checar sua saúde e a descoberta caiu como uma bomba: aos 16 anos, Expedito teve um diagnóstico de tuberculose. A saída foi arrumar as malas e voltar para casa para fazer um tratamento longo e duradouro, de cerca de seis meses.

Isolado dos colegas de bola e realizando seu tratamento médico com o apoio do Dr. Jean, ele acabou perdendo o ritmo que tinha conquistado com os treinamentos intensos dos quais sempre participava. Expedito resolveu foi conhecer a fundo a história de vida do seu ídolo: o também zagueiro, como ele, Thiago Silva, que enfrentou e superou a tuberculose. “Quando ouvi o Thiago falando sobre a superação dele frente à doença, parei e pensei: se ele conseguiu, eu também posso sair disso! E aí encontrei a força para terminar o tratamento e recuperar o tempo perdido”, se lembra emocionado.

“A história do Thiago Silva foi um divisor de águas na minha vida, pois eu achava que depois desta doença eu não poderia mais ser jogador de futebol. Conhecendo tudo o que ele passou, vi que eu poderia, sim, ser jogador profissional”. E no final de 2017 após concluir o tratamento, Expedito estava de volta aos testes, desta vez já no ASA de Arapiraca, ainda na categoria de base. Aos 17 anos, ele passou nos testes e começou a jogar na categoria sub 20.

A morte da sua maior fã

Tudo ia bem de novo, desta vez como jogador de base de um time conhecido e mais perto de sua casa, quando sua mãe faleceu. “A morte da minha mãe teve um impacto muito grande não só na minha carreira, que estava começando de fato, mas na minha vida de forma geral. Ela era minha amiga, meu alicerce, minha maior fã. Sempre esteve ao meu lado, mesmo quando pensei em desistir quando estava doente. Mas, em vez de entregar os pontos, resolvi que ia realizar o meu sonho e o dela e entrar em campo como jogador profissional. Foi quando resolvi me dedicar ainda mais”, conta o jogador.

E assim ele seguiu até que, depois de dois anos, em 2020, um pouco antes de começar a pandemia, ele perdeu a avó, com quem também tinha muita proximidade. Em julho do ano passado foi diagnosticado com COVID e teve que ficar afastado por 1 mês. Felizmente não teve sintomas graves da doença, mas acabei perdendo um pouco de espaço. No começo de 2021, mais uma vez a presença do Doutor Jean foi fundamental na vida dele. “Ele me encorajou a não desistir e a me cuidar e treinar ainda mais. E foi aí que redobrei minha força de vontade”, se emociona Expedito.

“Assinei o contrato no dia do aniversário de morte da minha mãe e tenho certeza que tive a ajuda dela para ver meu sonho realizado. Agradeço de coração à Diretoria do ASA, ao presidente do Clube, Moisés Machado, e ao Dr. Celso Marcos pela oportunidade. E também dedico a minha vitória à toda minha família e ao Doutor Jean, que sempre esteve ao meu lado e que, muitas vezes, me ajudou de vários jeitos. Sempre que ele podia, ele estava ali, pronto para me ajudar. Sou muito grato por ele”, finaliza.

   

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