08/11/2019 às 19h11min - Atualizada em 08/11/2019 às 19h11min

Pe. Antenor Montenegro Jr. divulga carta com detalhes de seu afastamento da Paróquia do Bom Conselho de Arapiraca

Data de saída do padre e de chegada de um novo administrador já foram definidas

Da Redação
Arquivo NN1
Nesta sexta-feira (08/11), o Padre Antenor Montenegro Júnior, atual pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Bom Conselho de Arapiraca, enviou aos fiéis uma carta detalhando sua renúncia do cargo. Reforçando o comunicado já feito anteriormente, o religioso falou que pretende se recolher em um ano sabático, sem assumir nenhuma outra comunidade.
 
As datas de mudança de liderança na Concatedral já foram definidas. Padre Antenor deixa o paroquiado no dia 23 de novembro, e no dia seguinte (24/11), assumirá a paróquia o Padre Paulo de Melo Silva, atual pároco da comunidade de Santo Antônio, no bairro Cacimbas, na mesma cidade.
 

Confira na íntegra a carta de Pe. Antenor:
 

Caro Povo de Deus,

Arapiraca, 08 de novembro de 2019.

 
               Todo Sacerdote é tirado do meio do povo, é preparado por Deus para depois retornar ao povo e servi-lo com toda a sua vida. O sacerdócio é um grande dom para o mundo. Sem o ministério sacerdotal o mundo não seria um lugar sereno, pacífico e feliz, o encontro com Deus seria muito mais difícil. O Sacerdote é uma escada, um caminho que leva ao Senhor. Ele deve ser o pontífice, assim como Cristo é. Como é bom ver a Igreja perpetuar no mundo pelos seus sacerdotes os mistérios insondáveis de Deus. Sou plenamente grato por me sentir escolhido e chamado por Deus.

                Todo Sacerdote, no exercício de seu ministério, tem direitos e deveres que lhe são assegurados pelo Código de Direito Canônico. Seu maior dever é ser o Cristo para o mundo e conduzir o Povo de Deus para o céu. É também seu direito estar mais próximo de Deus na intimidade da oração e da Eucaristia e se sentir sempre aliviado. Os Sacramentos são a vida do Padre e neles se debruça para se alimentar diariamente de Deus. Os Padres são homens inteiramente doados, apesar de serem carregados de fraquezas. São homens que carregam fardos pesados, às vezes de forma inacreditável e, muitas vezes, buscam aliviar seu peso com a certeza que Cristo está ao seu lado e sempre lhe acompanha. Muitos conseguem incrivelmente suportar com paciência e resiliência suas dores, é imitador de Cristo na dor. Louvados os sacerdotes porque conseguem colocar tudo nas mãos de Deus.


               É preciso compreender que, apesar de serem homens de Deus e dados à oração e à fé, os Sacerdotes também são humanos e carregam seus fardos a cada dia. Para se sentirem restabelecidos eles precisam dar tempo para cuidar de si próprios. O ano sabático é um direito assistido canonicamente ao padre para que ele possa reavaliar sua vida, recuperar as forças que diminuíram com o tempo e assim fazer uma experiência de fé mais íntima e unida a Cristo.

               Eu, Pe. Antenor Montenegro Júnior, decidi de livre escolha e com sinceridade de coração, com a aceitação do Bispo Diocesano, Dom Valério Breda, sob os conselhos e orientação de meu diretor espiritual e sob a proteção de Nossa Senhora do Bom Conselho, solicitar um ano sabático e assim experimentar um tempo de oração, silêncio, reflexão e intimidade mais profunda com Deus. Não tenho dúvida do quanto beberei da fonte inesgotável do amor de Deus. No que toca a fé, só quem avança para águas mais profundas consegue compreender o valor de passar um tempo mais demorado com Deus. O ano sabático será o tempo demorado na companhia do Senhor. Assim como para Maria, irmã de Marta, Cristo será sempre a minha melhor parte.

               Minha decisão de vivenciar o ano sabático aconteceu de forma refletida e progressiva, pois, toda decisão deve ser ponderada no bom senso e na certeza do que se quer. Em todo momento refleti seriamente sobre tudo: A Diocese, minha querida mãe que me deu o dom do ser padre; a obediência ao meu Bispo a quem devo minha vida e sacerdócio; a minha família, berço de minha vocação; o povo de Deus de nossa querida Diocese, especialmente nas Paróquias por onde passei como Pároco; o Clero diocesano de Penedo, irmãos que fizeram e farão sempre parte de minha vida sacerdotal; as famílias que tanto defendi como dom de Deus e célula da sociedade. Enfim, tudo me levou a desejar a necessidade de buscar seriamente um tempo para ser o Padre segundo o coração de Jesus.

               Agradeço a todos que estiveram ao meu lado nesses dezessete anos de sacerdócio. Muitas pessoas fizeram parte de minha vida e minha história cresceu à medida em que pude pôr em prática minha vida como uma pessoa chamada por Deus para servir o Povo que ele tanto ama e deseja salvo. Que depois de um ano eu possa retomar meu exercício sacerdotal junto à Diocese de Penedo.
 
Grato a todos. Que Deus lhes abençoe e Nossa Senhora do Bom Conselho lhes proteja.

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