16/01/2020 às 16h01min - Atualizada em 16/01/2020 às 16h01min

Chefe da Secom do Planalto teve 67 encontros com clientes e ex-clientes de sua empresa

Só com integrantes de Record, Band, SBT e RedeTV! foram 62 reuniões oficiais desde abril; parte das viagens foi paga com dinheiro público

Da Redação - com UOL
André Coelho/Folhapress
A agenda pública e os relatos oficiais de viagens realizadas pelo chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Fabio Wajngarten, mostram que, desde que ele assumiu o cargo, teve pelo menos 67 encontros com representantes de clientes e ex-clientes de sua empresa FW Comunicação.
 
Segundo os registros, 20 viagens foram custeadas com dinheiro público para parte dessas reuniões. 
 
A Folha mostrou nesta quarta-feira (15/01) que o chefe da Secom recebe, por meio da FW, da qual é sócio, dinheiro de emissoras de TV e de agências de publicidade contratadas pela própria secretaria, ministérios e estatais do governo Jair Bolsonaro.
 
A Secom é a responsável pela distribuição da verba de propaganda do Planalto e também por ditar as regras para as contas dos demais órgãos federais. No ano passado, gastou R$ 197 milhões em campanhas.
 
O secretário tem 95% das cotas da FW, que tem contratos com ao menos cinco empresas que recebem do governo, entre elas a Band e a Record, cujas participações na verba publicitária da Secom vêm crescendo. 
 
A legislação vigente proíbe integrantes da cúpula do governo de manter negócios com pessoas físicas ou jurídicas que possam ser afetadas por suas decisões. 
 
Em entrevista à Folha, Fabio Liberman, nomeado em abril para administrar a FW, disse que a firma teve negócios com SBT e Rede TV!, mas os contratos se encerraram.
 
Nomes ligados às emissoras e afiliadas de TV Record, SBT, Band e Rede TV! constam em 62 compromissos listados em sua agenda oficial e em suas viagens para fora de Brasília, custeadas com dinheiro público.
 
Os outros 5 foram com integrantes da agência Artplan, agência contratada pelo governo e que, ao mesmo tempo, paga pelos serviços da empresa do chefe da Secom.
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