17/01/2020 às 13h26min - Atualizada em 17/01/2020 às 13h26min

​Bolsonaro exonera secretário da Cultura, que fez discurso com frases semelhantes às de ministro de Hitler

Em vídeo para divulgar concurso, Roberto Alvim disse que a arte deve ser 'heroica' e 'imperativa', 'ou não será nada', assim como Goebbels

Da Redação
Jorge William / Agência O Globo
O presidente Jair Bolsonaro exonerou nesta sexta-feira (17/01) o secretário nacional da Cultura, Roberto Alvim, que fez um discurso no qual usou frases semelhantes às usadas por Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Adolf Hitler durante o governo nazista. Goebbels era antissemita radical e foi um dos idealizadores do nazismo.
 
Assim como Goebbels havia afirmado em meados do século XX que a "arte alemã da próxima década será heroica" e "imperativa", Alvim afirmou que a "arte brasileira da próxima década será heroica" e "imperativa". (Compare os discursos abaixo).
 
Em nota, Bolsonaro afirmou que a permanência de Alvim no governo ficou "insustentável".
 
"Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência", afirmou Bolsonaro.
 
O presidente disse ainda que repudia ideologias "totalitárias e genocidas".
 
"Reitero nosso repúdio às ideologias totalitárias e genocidas, bem como qualquer tipo de ilação às mesmas. Manifestamos também nosso total e irrestrito apoio à comunidade judaica, da qual somos amigos e compartilhamos valores em comum", completou o presidente.
 
 
Fala do secretário
 
O discurso do secretário, divulgado em uma rede social na quinta (16/01), se referia ao lançamento de um concurso de projetos de arte.
 
O vídeo de Alvim ganhou grande repercussão nas redes sociais e tanto o nome do secretário quanto o de Goebbels foram parar entre os assuntos mais comentados do Twitter no Brasil.
 
A fala dele também gerou forte repercussão nos meios artístico e político. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediram a demissão imediata do secretário.
 
Nesta manhã, Alvim afirmou em post no Facebook que a semelhança entre as frases foi "apenas uma frase do meu discurso na qual havia uma coincidência retórica".
 
Além da fala semelhante à de Goebbels, o vídeo de Alvim apresenta, ao fundo, uma música do compositor alemão Richard Wagner (1813-1883), extraída da ópera Lohengrin. O artista escreveu ensaios nacionalistas e antissemitas, e foi tomado pelos nazistas como exemplo de superioridade musical e intelecto.
 
 
Compare os discursos:
 
Roberto Alvim: 

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo – ou então não será nada”.

 
 
Joseph Goebbels: 

“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada".

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