16/03/2020 às 17h35min - Atualizada em 16/03/2020 às 17h35min

Ministério Público denuncia psiquiatra por crimes de aborto, omissão de socorro, cárcere privado

Órgão pede suspensão das atividades médicas do investigado

Da Redação - com MP/AL
Foto: Reprodução
Crime contra a vida, violência contra a mulher e anulação do juramento da Medicina definem os atos criminosos praticados pelo psiquiatra Dilson Karlo Aquino Onofre, denunciado pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE/AL), por meio da 9ª Promotoria de Justiça da Capital. O promotor de Justiça, Rodrigo Soares, pediu medidas cautelares diversas da prisão, afastamento da atividade de médico, acusando-o de aborto, com resultado de lesão corporal grave, cárcere privado e omissão de socorro contra uma namorada. Também foi pedido o recolhimento do passaporte para que o mesmo seja impedido de se ausentar do país, além de medidas protetivas de urgência em favor da vítima.
 
Apesar de o médico residir em Santana do Ipanema, o crime teria ocorrido em setembro passado, no bairro da Jatiúca, em Maceió, em um apartamento, localizado no Edificio Terrantai, de sua propriedade. A princípio, Dilson Karlo manteve contato com a vítima afirmando que queria conversar sobre a gestação, no entanto seria para pressioná-la a abortar, o que não foi acatado. De forma planejada, com a justificativa de que queria acalmá-la, o denunciado fez com que ela bebesse vários copos de água, assumindo depois que havia colocado Rivotril com o intuito de que adormecesse e ele tivesse maior facilidade de introduzir comprimidos de Cytotec em sua vagina para atingir o seu objetivo.
 
“Quando ele a convidou para o encontro, já estava mal intencionado e, após tentar convencê-la ao aborto, sem êxito, decidiu ele mesmo provocar o aborto, dopando a vítima. Além disso, no dia seguinte, foi trabalhar no Sertão e a deixou trancada, sangrando. Ou seja, não somente impediu a criança de nascer, como colocou em risco também a vida da moça. O mais grave, sendo ele um médico, que fez juramento para salvar vidas, teve atitude totalmente contrária, inclusive omitindo o socorro e isso é muito mais grave do que se imagina. E o Ministério Público tinha a obrigação de denunciá-lo”, explica o promotor de Justiça, Rodrigo Soares.
 
Por precaução, o promotor de Justiça pediu a decretação de medidas protetivas de urgência em favor da vítima com a proibição de contato e de aproximação por pelo menos 300 metros.
 
“Precisamos salvaguardar a integridade física e psíquica da vítima, impedindo que outras tentativas de violência sejam praticadas pelo denunciado. Inclusive que mantenha contato também por telefone para não desencadear desequilíbrio emocional nela e em seus familiares”, ressalta o promotor.
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