14/09/2020 às 09h14min - Atualizada em 14/09/2020 às 09h14min

​Peu Pereira é oficializado candidato, e sucessor de Joãozinho Pereira, na disputa em Teotônio Vilela

Ele já foi eleito prefeito do município por duas vezes consecutivas (2008 e 2012)

- Claudemir Calixto
Foto: Marcela Vilela

O Partido Progressista (PP) definiu, na manhã deste sábado (12/09) os nomes para a disputa da Prefeitura Municipal de Teotônio Vilela nas eleições de 15 novembro. Na convenção do Partido, o nome de Pedro Henrique de Jesus Pereira, Peu Pereira (PP), foi escolhido para encabeçar a chapa, ao lado de Márcio Vilela (PSDB), que será o vice, na disputa.

A candidatura tem como principal apoiador o atual prefeito e líder político da família Pereira, João José Pereira Filho, Joãozinho (MDB). Mas não é só, o nome de Peu Pereira não foi apenas uma escolha de Joãozinho, que já havia o indicado para a sua sucessão depois do fim do seu segundo mandato, em 2008.

O Deputado Federal Arthur Lira (PP), considerado um dos nomes de peso do partido no cenário nacional, também se colocou a favor do nome do Peu Pereira para a sucessão de Joãozinho nas eleições deste ano. Além dele, outro nome importante a fazer parte da cúpula de escolha em torno do nome de Peu, foi a deputada estadual Jó Pereira (MDB).

 

Em sua fala, no evento de lançamento da candidatura, Joãozinho Pereira destacou a importância de se fazer uma campanha limpa e respeitosa, alicerçada no diálogo com as pessoas. “A gente aqui tá com a família. Uma família das pessoas que querem o bem pra Teotônio Vilela. Então, vamos fazer uma campanha limpa, uma campanha respeitosa, uma campanha conversando com a comunidade”, disso o prefeito.

Já Peu Pereira, afirmou que aprendeu com Joãozinho, e ratificou a observação do primo em fazer uma campanha limpa. “Eu, Joãozinho, aprendi, e junto com você, e junto com essa equipe que está aqui, a gente vai fazer uma eleição de união, limpa, e mostrando ao povo de Teotônio e de Alagoas que a gente vai andar juntos”, afirmou Peu Pereira.

Jó Pereira disse que Joãozinho, que fez muito, saí, para a entrada de Peu, “que vai fazer muito mais”. A deputada ainda destacou a união selada entre o grupo apresentado na convenção. “Essa união, ela (sic) representa a junção de pessoas em prol de um mesmo objetivo, que é o desenvolvimento da região sul do estado de Alagoas”, completou Jó.
 
Prefeito Peu Pereira

A primeira função pública assumida por Peu Pereira, no município de Teotônio Vilela, foi de secretário de viação e obras da cidade, no primeiro mandato de Joãozinho (2000 à 2003).

A parceria entre os dois continuou até o e tão secretário ser eleito para o executivo municipal em 2007. Pedro Henrique foi reeleito e ficou no cargo até 2016. Na nova gestão de Joãozinho, Peu Pereira assumiu a função de secretário geral do município. Se for eleito, Peu Pereira administrará Teotônio Vilela pela terceira vez.

 


Vice Márcio Vilela

Márcio Vilela, é o atual vice-prefeito, eleito nas eleições de 2016, ao lado de Joãozinho Pereira. A permanência de Márcio na função de vice, mantém a antiga aliança entre Pereiras e Vilelas, selada ainda no início dos anos 2000, quando Joãozinho foi eleito prefeito pela primeira vez, tendo como vice, à época, Adelson Pereira, que era funcionário das Usinas Reunidas Seresta, primeiro indicado pela família Vilela.

A coligação e os partidos

Encabeçada pelo Partido Progressista, a coligação que tem o nome de Peu Pereira para prefeito de Teotônio, ficou composta pelo PP, PSDB, MDB, PSD e PC do B. Entre estes, a novidade na aliança com o grupo, ao menos de modo oficial, é o PSD, que tem como presidente local o líder partidário André da Granja.

O diretório municipal do partido, segundo informações de bastidores, estava em conversa com o grupo de oposição a atual gestão do município, liderado pelo ex-prefeito José Gomes dos Santos (1997-2000). Mas, por conta de discordâncias internas, o PSD acabou se desligando da oposição e fechando aliança com o prefeito Joãozinho para apoiar seu sucessor.

Um dos motivos para que o partido não fechasse com a oposição teria sido a articulação liderada pelo ex vereador Ronivaldo Correia em torno da filiação de Zé Gomes no PTB, do Deputado estadual Antônio Albuquerque, padrinho político de Ronivaldo.

 
Ronivaldo foi candidato a prefeito em 2012, ao lado de Vera Gomes como vice, irmã do atual candidato da oposição, mas foi derrotado por Peu Pereira, reeleito naquele ano. Nas últimas eleições, o ex vereador sofreu mais duas derrotas: perdeu como vice na chapa de oposição, encabeçada pelo ex vereador Hermínio, e assistiu a irmã, Márcia Correia, ser derrotada para o legislativo, depois de cumprir o primeiro mandato como vereadora.

A frustrada aliança com o PSD por parte da oposição local se deu, entre outros motivos, pelo aspecto fisiológico que o partido do Deputado Marx Beltrão tem, no âmbito municipal. Há alguns anos sob o comando de André da Granja, o partido não se posicionado ideologicamente, o que teria sido determinante para que as conversas em torno de uma aliança com a oposição não vingassem, uma vez que uma mudança do partido pudesse surpreender o grupo opositor, que teria a candidatura inviabilizada, caso a sigla tomasse outros rumos no meio do caminho.
 
O Chapão

Dos 13 vereadores que estão no mandato, 10 formam um chapão considerado o grupo mais disputado para as eleições de 15 de novembro na briga por uma vaga no legislativo municipal. Entre os nomes está o atual presidente da Câmara, Edelson Almeida (PP), eleito em primeiro lugar no pleito de 2016, seguido do vereador João Eudes (PP), que, assim como Edelson se destaca entre os favoritos para serem reeleitos.

João Eudes é o mais antigo e experiente vereador dos que atuam no mandato vigente. Além da experiência como legislador, pesa positivamente em seu currículo a articulação com outros nomes históricos na luta pela emancipação política de Teotônio Vilela, entre outras ações e projetos defendidos e mantidos João Eudes ao longo de sua carreira política.

 

A lista ainda tem nomes como o advogado Edmar, Nano, André Novinho, Edvaldo Gulandim, Edmundo Lúcio, Luiz Pintor, Newton da Granja e Damião Barros – todos filiados ao Partido Progressista (PP), e considerados igualmente fortes na briga pela reeleição. Além destes nomes, o conselheiro tutelar Renildo Idalino também participa da disputa por uma vaga na câmara vilelense, e é considerado – apesar do peso do chapão – um dos nomes fortes a uma cadeira no legislativo, entre os estreantes.

Já Valzinho Marques é um dos nomes atualmente com mandato que figuram entre os vereadores com maior dificuldade de se reeleger. Eleito no último pleito com pouco mais de 600 votos, Valzinho perdeu capital político depois de votar projeto de interesse do executivo, que, segundo o SINTEAL local, e os professores, representou a retirada de direitos dos servidores da categoria.

Até o ocorrido, Valzinho Marques, que também é professor, era considerado o porta voz dos trabalhadores em educação, e sua posição a favor do executivo, nesse projeto em específico, foi recebida pelos servidores da pasta como um ato de traição do vereador.
 
MDB e PSD

No grupo do MDB os favoritos são os vereadores Sérgio Celestino e Guilherme, ex conselheiro Tutelar, irmão do ex vereador Hermínio. Com eles, brigam por uma chance Marquinhos Cassimiro, que acabou bem colocado nas eleições de 2016, e o vereador Leandro da Pousada, que enfrenta dificuldades para ser reeleito, seja por uma atuação tímida no seu vigente primeiro mandato, seja por conta dos adversários – considerados mais fortes – com quem tem que disputar uma vaga para permanecer na câmara municipal.

Ainda no grupo do MDB, outros nomes se destacam por conta da capacidade de serem bem votados, ainda que não tenham chance real de conquistar uma vaga – caso nenhuma surpresa ocorra ao fim do processo – são eles: Sandro, Zequinha Cândido, Bilzinho, Gazeta, Djalma da Vila, Janaína Conselheira, Erivan, entre outros.

Já no PSD, a briga por uma vaga no legislativo será travada entre o ex conselheiro Tutelar Silvano José, e Marciel da Granja, considerados os nomes mais fortes do grupo. Silvano, que foi candidato no último processo de escolha para conselheiro Tutelar, em 2019, deve problematizar a vida do vereador André Novinho (MDB) que divide o reduto político do bairro Gerais com o conselheiro, que já apoiou o André no passado.

Compõe ainda o PSD, André da Granja, Luciano da Água, Rafael Locutor – apontado como o possível maior recebedor dos votos de protesto – Sirlândio, Primo e Padaria, entre outros nomes que, ao que tudo indica, não devem surpreender.

O futuro de Joãozinho Pereira

A saída de Joãozinho Pereira do cenário político municipal cumpre ação necessária para que o atual prefeito figure de modo mais eficaz como líder da família e principal articular dos interesses do seu grupo político no estado de Alagoas. A opção por Peu Pereira, em detrimento de sua própria reeleição, para a Prefeitura do município vilelense abre um leque de possibilidades para o futuro político de Joãozinho, que já foi considerado um dos possíveis nomes para disputar o governo do estado no futuro.

Não é de hoje que Joãozinho Pereira trabalha com foco neste objetivo, ainda que ele não esteja totalmente desenhado. O atual prefeito de Teotônio Vielela, que já foi eleito deputado estadual (2011-2014), conta com alianças políticas na região de Limoeiro de Anadia, São Sebastião, busca a eleição da esposa, Isabelle Alcântara, em Palestina, terra natal da ex secretária de saúde de Teotônio, e é o principal avalista do irmão Fernando Pereira, que disputará a prefeitura da cobiçada São Miguel dos Campos, além de já deter a preferência política em Junqueiro, Campo Alegre e Teotônio Vilela.

Outro fato que merece destaque é a “parceria fria” entre o líder da família Pereira e o Deputado Federal Marx Beltrão, umas das principais lideranças do litoral do sul do estado. O prefeito conta ainda com uma das atuações mais destacadas da Assembleia Legislativa dos últimos anos, a da deputada Jó Pereira, que o sucedeu na Casa de Tavares Bastos.

A ascensão política da irmã – que antes atuava nos bastidores jurídico-administrativos da família – é mais uma ação política de Joãozinho que também merece destaque; apesar de ser considerado um articulador nato, Jó Pereira consegue lidar melhor do que o irmão com os tramites políticos do legislativo estadual.

Enquanto a fragmentada oposição de Teotônio Vilela comenta, nos bastidores, a impossibilidade legal de uma candidatura de Joãozinho à reeleição – uma impossibilidade determinada no âmbito da primeira instância ainda não seria suficiente para retirar Joãozinho da disputa, ainda mais considerando a boa assessoria jurídica com a qual conta o gestor – o atual prefeito segue demonstrando que fazer política não é tarefa para amadores.

 

Outra característica que demonstra o interesse do prefeito por um posto mais alto na sua trajetória política é a leve mudança nas ações políticas que o gestor vem desenvolvendo ao longo do atual mandato. Ainda que de modo tímido, o prefeito buscou fazer parcerias para a viabilização do Parque Industrial do município, no qual oferece, entre outros benefícios, longos períodos de isenção de impostos para as empresas que decidirem se instalar em Teotônio – o empreendimento foi inaugurado ainda no final do último governo de Peu Pereira (2017), e começou a ganhar corpo nos últimos dois anos.

Esta mudança de abordagem em torno das políticas publicas defendidas por Joãozinho Pereira e seu grupo político, a preferência por um programa de governo que busca o desenvolvimento econômico local, através da geração de emprego – não obstante a manutenção de uma política assistencialista, e com foco nos números do IDEB, além de mais investimentos ao longo dos anos na saúde local – fortalece a narrativa de um gestor compromissado não apenas com o desenvolvimento dos municípios nos quais o prefeito figura como apoiador ou avalista político, como também, destaca um gestor preocupado com o desenvolvimento de todo o estado de Alagoas.

Por isso, a escolha em torno do nome de Peu Pereira para disputar a prefeitura de Teotônio Vilela, em detrimento de seu próprio nome, que poderia disputar a reeleição, bem como os esforços para eleger o irmão, Fenando Pereira, em São Miguel dos Campos, além da mudança da base partidária – migração do PSDB para o MDB, e possivelmente para o PP – são etapas importantes para desenhar o futuro de Joãozinho Pereira e seu grupo em busca de um posto mais alto na sua trajetória política.

Além de tudo, Joãozinho não é o único nome da família com a possibilidade de ser viabilizado para o executivo estadual. Claro que o comportamento dos grupos políticos tradicionais de Alagoas também influenciará nas intenções e decisões futuras do líder dos Pereiras.

 
 
 

 
 
 
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