18/04/2019 às 10h42min - Atualizada em 18/04/2019 às 10h42min

ESPECIAL - Arapiraca, um grande centro que preserva as tradições da semana santa

Arapiraquenses lotam as feiras em busca do peixe e igreja prepara celebrações cada vez mais concorridas pela população

Karina Glória
Karina Glória - NN1
Estamos na Semana Santa, e nesse período muitos correm para abastecer a geladeira de peixes, ovos de páscoa e outros artigos que remetem popularmente à data. Mas a origem dessa celebração é inicialmente cristã.
 

O Padre Antônio Lopes, pároco da Paróquia de São José, localizada no Alto do Cruzeiro, em Arapiraca, explica que as festividades se referem a morte e ressurreição de Jesus Cristo. "É a principal celebração da Igreja onde se celebra a Paixão, que seria o sofrimento, a morte e a ressureição de Jesus Cristo. A palavra 'Páscoa' significa passagem, então se refere dessa saída da morte para a ressureição. Acreditamos que Jesus morreu para nos salvar, ressuscitou no domingo de Páscoa e esse é o verdadeiro sentido", disse.

O religioso frisa que a quaresma, que são os 40 dias que antecedem a Sexta-Feira Santa, é um marco de penitência como forma de se espelhar no sofrimento passado por Jesus. "Durante esse tempo os fiéis fazem as penitências com abstinência, jejum e especialmente agora na Sexta-Feira Santa, a igreja pede que seja feito um jejum como sinal de penitência para pedirem perdão pelos pecados", falou.

 

Sobre os costumes que a instituição católica prega, ele cita as restrições alimentares e na rotina profissional. "Não se come carne vermelha, evitam-se as festividades e a realização de trabalho remunerado, com exceção de profissões essenciais como médicos e policiais e também aquelas pessoas que não podem faltar ao expediente em casos de plantões, por exemplo. Mas quem precisa trabalhar, é importante lembrar sempre da morte de Jesus. Depois desse período de jejum, que pode ser reduzir uma refeição ou a subtrair, é feita uma grande festa no domingo da Páscoa como sinal de alegria pela ressureição de Cristo", esclareceu.

Programação nas paróquias

Durante a Semana Santa as igrejas prepararam uma programação especial para lembrarem o período, na Paróquia de São José e na Concatedral Nossa Senhora do Bom Conselho, no centro de Arapiraca, as festividades iniciaram no domingo (14/04) com o Domingo de Ramos, na quarta-feira (17/04) aconteceu a Procissão do Encontro, na quinta-feira (18/04) está programada a Missa da Ceia do Senhor com o tradicional Lava Pés. Na sexta-feira (19/04) ocorrerá toda a programação de celebração da Paixão de Cristo, no sábado (20/04) ocorrerá a Vigília Pascal e no domingo de Páscoa as ações são fechadas com uma missa.

Em relação ao consumo de produtos não relacionados diretamente com a questão religiosa, como os ovos de chocolate, coelhos de pelúcia e outros artigos, o Padre orienta que se tenha cautela. "Sobretudo no domingo de Páscoa, é natural que as pessoas troquem ovos de chocolate para comemorarem a data. A Igreja não se opõe, pois o ovo é uma simbologia que sempre foi usada pela Igreja porque tem o formato de um sepulcro, alguma coisa morta por fora, mas dentro há vida e isso faz analogia ao que Jesus passou. As pessoas só precisam tomar cuidado com os excessos, já que a gente sabe que o comércio é esperto e se apropriou desse símbolo o transformando em vendas. Os fieis precisam ser prudentes para não transformarem tudo em consumismo", explicou o Padre.

Em estabelecimentos comerciais, como shopping, é fácil localizar artigos de decoração, presentes e toda uma organização feita especialmente para alavancar as vendas nessa época. Geyse Soares, que é gerente de uma loja do centro de compras, relata que as lojas se preparam para esta data, mas os resultados são aquém do esperado. "Todos os anos a gente se organiza para arrumar as lojas e nossas vitrines porque o movimento de fluxo de pessoas no shopping aumenta. As pessoas ainda tem grande foco em ovos de páscoa, mas as vendas de pelúcias vêm aumentando".

 

"A gente não sente uma melhora nos artigos específicos de páscoa como decoração, coelhos de pelúcia, nada disso. O que nos beneficia é a maior movimentação no local que nos permite ter mais visibilidade e as vendas melhoram nos artigos gerais", apontou Geyse.

Feiras populares

Nas feiras, a situação é diferente, já que vários consumidores se deslocam especificamente para realizar a compra de peixes e se adiantam para garantir os pescados que serão preparados na refeição da Sexta-feira Santa, acreditando encontrar valores mais baixos. Porém Augusto, que é comerciante há 12 anos, garante que os preços não aumentaram em 2019. “A gente está trabalhando com o mesmo preço do ano todo. Não mudamos nada”.

Em sua banca, ele contou que o Cará está custando de R$ 8,00 à R$ 10,00 kg. Já o Sururu está saindo por R$ 14,00 à R$ 16,00 kg, O Camarão é vendido pelo preço de R$ 25,00 à R$ 30,00 kg. Ele também relatou que outras espécies de peixes como lascas de bacalhau e corvina são bastante procurados.

O senhor Manoel, consumidor se disse receoso sobre o preço. “Eu estou comprando para garantir o peixinho para a família. A gente fica com medo dos preços subirem então a gente já se programa para comprar antes”.

 

O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Arapiraca divulgou uma pesquisa onde foram analisados os preços de chocolates em geral, pescados e alguns tipos de vinhos. Segundo os dados, alguns ovos de páscoa são os que mais apresentam variação de preço. O item foi comparado em quatro lojas distintas e a diferença chegou a 40%.

O custo dos vinhos foi comparado em três comércios e o mais barato chega a custar R$8,79. Os azeites também pesquisados em três lojas apresentou o valor de R$ 5,99 o mais em conta. Já os pescados foram comparados nos três estabelecimentos e o quilo mais barato está custando R$ 13,44. Vale ressaltar que todo levantamento foi feito com base nas mesmas marcas dos produtos.

 

"O importante é viver esse momento como transformação, de fazer novos propósitos, de acreditar, ter esperança de que a ressureição é sinal de esperança acima de tudo. Nós devemos acreditar que apesar dos sofrimentos e dificuldades da vida nós temos uma passagem, uma esperança de vida e celebrarmos", finalizou o Padre Antônio.
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