03/08/2019 às 11h52min - Atualizada em 03/08/2019 às 11h52min

Debate de candidatos à reitoria da UFAL aborda polícia na universidade, descentralização da gestão e liberdade de expressão

Confira na íntegra a transmissão do debate na Rádio Novo Nordeste

Da Redação
Karina Glória - NN1
A Rádio Novo Nordeste recebeu, na manhã deste sábado (03/08), os candidatos à reitoria da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) nas eleições de 2019. O pleito acontece entre os dias 7 e 8 de agosto, com segundo turno marcado para os dias 14 e 15 do mesmo mês. A consulta transcorrerá nos três campi da Ufal e respectivas unidades de ensino.

O debate contou com cinco blocos, três deles destinados a perguntas e respostas. Estiveram presentes os representantes de três das quatro chapas candidatas: Josealdo Tonholo (Chapa 1 – Ufal Mais); Alexandre Toledo (Chapa 3 – Endireita Ufal) e José Vieira (Chapa 4 - Compromisso e Ação). A candidata Valéria Correia, da Chapa 2, e atual reitora da universidade, não compareceu alegando compromissos de agenda e campanha.

Confira aqui o currículo de cada candidato.

Josealdo Tonholo iniciou sua participação listando os eixos de sua campanha. “A proposta da Chapa 1 é trazer eixos relacionados ao acolhimento, ao pertencimento, à necessidade de integração, a trabalhar a cultura do empreendedorismo e inovação, mas trabalhar com muita efetividade para que a Ufal entregue toda sua potencialidade à sociedade alagoana”, destacou.

Alexandre Toledo citou suas experiências na área de gestão acadêmica, como na coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo e na criação do curso de Design. Disse que os pilares da chapa 3 são pluralidade, integração, ciência e empreendedorismo, e destacou seu viés liberal de gestão. “Essa é uma visão liberal, que quando encontra problemas, vai encontrar soluções, e não fica no vitimismo de reclamar do governo federal por qualquer dificuldade de operacionalização das universidade federal”, declarou.

José Vieira defendeu o incentivo da democracia e destacou sua atuação como vice-reitor no conhecimento das demandas do interior. Definiu como eixos de campanha a defesa intransigente da universidade pública gratuita, manutenção das contas em ordem, integração entre os campi e o setor administrativo, transparência e sustentabilidade. “Nós acreditamos que a democracia se faz sobretudo com respeito à liberdade de expressão e de imprensa, tenho 31 anos ligado à universidade pública”.
 
Confira a transmissão do debate na íntegra pelo NN Play:



 
 
Algumas perguntas e respostas
 
Pergunta (Alexandre Toledo): O senhor afirmou nos debates que é o primeiro candidato negro à reitoria da Ufal. Gostaria de saber como o senhor vê os movimentos negros na Ufal, suas ações, e se são esses movimentos que o apoiam nessa sua jornada. Gostaria de incluir os movimentos feministas e o LGBT.

Resposta (José Vieira): Eu sou um historiador, um sociólogo, e tenho uma relação de profundo respeito pelos movimentos sociais, em particular pelos movimentos afrodescendentes, mas é uma relação de liberdade e autonomia. Em relação ao movimento negro e às políticas afirmativas, eu tenho acompanhado todas as ações da universidade, desde o nome social até a reestruturação dos nossos estudos afro-brasileiros, que caminha para ser afro-brasileiro-indígenas. Eu apoio na medida do possível, mas eu faço uma diferença entre ser o ativista e ser um gestor.
 

Pergunta (José Vieira): Como o senhor avalia a questão da aplicação dos recursos de manutenção nos campi fora de sede, em particular na relação da sede com suas unidades educacionais? Como Arapiraca, que tem recursos descentralizados para manutenção, pode resolver de forma otimizada esse recurso para Palmeira dos Índios, Viçosa e Penedo.

Resposta (Josealdo Tonholo): Eu acho que existe uma situação toda especial do ponto de vista da criação dos novos campi. A Ufal aumentou muito o seu tamanho de 2006 para cá, mas infelizmente nós temos gerido com as mesmas premissas dos anos 90 e 2000. Do ponto de vista de governo federal, em relação à unidade de gestão, tem sido reticente o problema da descentralização, não só de orçamento, mas das decisões também, e não exclusivamente por um problema desta última gestão, mas até do ponto de vista do orçamento federal, que é todo amarrado e engessado. Existem outros pontos que merecem nossa atenção, como o tamanho da nossa universidade hoje, e a complexidade dos vários campi e unidades acadêmicas. Nós precisamos exercitar a transferência da responsabilidade do poder de decisão cada vez mais para as unidades acadêmicas, porque ninguém melhor do que o gestor que está ali do lado no dia a dia é que vai saber as prioridades locais.  
 
 
Pergunta (Josealdo Tonholo): Nós circulamos por várias unidades acadêmicas, e nós vimos na conversa com os estudantes uma preocupação frequente com a segurança. O que a sua chapa traz como proposta pra solução de segurança nos vários campi da Ufal?

Resposta (Alexandre Toledo): A nossa chapa é a única que assume deliberadamente a possibilidade da entrada da polícia no campus. É uma mudança muito drástica, porque sempre que este assunto foi discutido no Conselho Universitário, discordam dessa possibilidade. A segurança nos campi tem dois aspectos importantes. Primeiro, é a segurança patrimonial, e segundo, é a segurança pessoal. A segurança patrimonial é parcialmente resolvida com serviços terceirizados de vigilância, a um custo altíssimo. E a segurança individual, infelizmente, não é resolvida, porque o próprio serviço de vigilância não tem competência para resolver essas questões, sobretudo numa possibilidade de assalto e até de homicídio dentro do campus. A população da universidade é muito mais complexa; às vezes, acontece um homicídio, mas por causa da sua população circunvizinha que se adentra aos campi. Nossa chapa pretende, do ponto de vista da segurança individual, fazer parcerias com a polícia, para que ela possa, por meio de um programa, sobretudo nos horários de saída do campus, noturno. E de vigilância patrimonial, nós queremos criar mecanismos de visualização dos edifícios da universidade, abrindo visualmente para a comunidade circunvizinha, e também, quem sabe, criando residências universitárias nas próprias unidades acadêmicas. Os estudantes podem ser os próprios vigilantes da universidade.
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