Em prisão domiciliar desde maio de 2025, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a oito anos e seis meses em um processo da Operação Lava-Jato, o ex-presidente Fernando Collor de Mello cumpre a pena em uma cobertura na orla de Maceió, capital de Alagoas, e desde então já recebeu visitas de políticos, advogados e jornalistas — todos autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes.
A mais recente visita feita ao ex-presidente e ex-senador por Alagoas de 75 anos ocorreu na segunda-feira, quando Collor recebeu o deputado Paulinho da Força, presidente nacional do Solidariedade.
No pedido apresentado a Moraes, o parlamentar justificou o encontro como "uma visita institucional e humanitária".
Ao longo dos últimos oito meses em que esteve detido, Collor também recebeu a visita de familiares, amigos, fisioterapeutas e médicos, além de advogados que atuam em Brasília, como Marcos Joaquim Alves e do jornalista Fernando Morais, conhecido por ser o autor de biografias, entre elas a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na justificativa para o encontro, o jornalista explicou a Moraes que gostaria de discutir a possibilidade de incorporação ao Centro Brasil Memória do "acervo político e pessoal e da biblioteca do ex-presidente Fernando Affonso Collor de Mello".
Em outubro, o ex-presidente precisou explicar ao Supremo o porquê de um relatório de monitoramento da Secretaria de Administração Penitenciária de Alagoas ter mostrado violações na tornozeleira eletrônica usada por ele durante os dois primeiros dias de instalação, mas só ter sido apresentado a Moraes meses depois.
Segundo o órgão do estado, a violação foi pontual e ocorreu devido a problemas na instalação do equipamento, não representando uma movimentação atípica de Collor. Moraes acolheu o argumento, mas advertiu que qualquer alteração nova poderia levar à revogação da medida.
Collor foi considerado culpado pelo STF em 2023 por envolvimento em um esquema de corrupção na BR Distribuidora no qual teria recebido R$ 20 milhões em propinas, mas só em abril de 2025 teve o início da execução penal decretado por Moraes, que rejeitou embargos de divergência apresentados pela defesa do ex-presidente após considerá-los "meramente protelatórios".
Na decisão, o ministro observou que este tipo de recurso só é cabível quando há, pelo menos, quatro votos absolutórios próprios, o que não ocorreu no caso, mesmo se forem considerados os delitos de maneira isolada.
O ministro explicou que, em relação à dosimetria, o STF tem entendimento consolidado de que esse tipo de divergência não viabiliza a apresentação de embargos infringentes.
Condenado por corrupção e outros crimes, inicialmente o ex-presidente foi detido em uma cela especial num presídio de Maceió. No início de maio de 2025, Moraes autorizou a mudança de regime após a defesa comprovar, com mais de 130 exames, que Collor tem Parkinson desde 2019 e sofre de outras comorbidades, como privação crônica de sono e transtorno bipolar. Além de usar tornozeleira eletrônica e ter restrições de visitação, ele também teve passaportes apreendidos e está proibido de deixar o país.