União Europeia aprova acordo com o Mercosul e cria maior zona de livre-comércio do mundo
Collor participou da fundação do Mercosul, acompanhou negociações com a UE e, como senador, atuou para evitar desequilíbrio entre blocos
Por Folha de S. Paulo
10 de Janeiro de 2026 às 08:44
Imagem: Histórica cerimônia na qual os Presidentes Collor, Carlos Menem, Luis Lacalle e Andrés Rodríguez firmaram o Tratado de Assunção - Foto: Presidência da República
Países da União Europeia aprovaram, nessa sexta-feira (9), em Bruxelas, o acordo de livre comércio com o Mercosul, o maior do gênero no mundo, que reunirá um mercado estimado de 722 milhões de consumidores. A despeito da oposição liderada pela França, representantes dos Estados-membros deram sinal verde para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinar o tratado na próxima semana, no Paraguai.
Os votos dos embaixadores no Conselho da UE foram confirmados por escrito pelos governos dos 27 países do bloco, no fim da tarde europeia, formalidade que não impediu o governo alemão de se manifestar ainda pela manhã. Para Berlim, o tratado “é um sinal importante no momento atual”.
“Em um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico”, escreveu o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em redes sociais.
Os votos dos embaixadores no Conselho da UE foram confirmados por escrito pelos governos dos 27 países do bloco, no fim da tarde europeia, formalidade que não impediu o governo alemão de se manifestar ainda pela manhã. Para Berlim, o tratado “é um sinal importante no momento atual”.
“Em um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico”, escreveu o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em redes sociais.
Segundo relatos colhidos pela imprensa europeia com diplomatas, França, Polônia, Hungria, Irlanda e Áustria votaram contra. A Bélgica se absteve. A Itália, como esperado, se uniu à maioria favorável ao pacto.
“Nunca me opus ideologicamente ao Mercosul”, declarou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que criticou a União Europeia por regulamentar o comércio dentro de suas próprias fronteiras, ao mesmo tempo que se abre para um comércio que não inclui o mesmo nível de regulamentação.
“Nunca me opus ideologicamente ao Mercosul”, declarou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que criticou a União Europeia por regulamentar o comércio dentro de suas próprias fronteiras, ao mesmo tempo que se abre para um comércio que não inclui o mesmo nível de regulamentação.
“Sou a favor de acordos de livre comércio, mas também de regulamentação”, destacou. Tarifas de importação sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos serão eliminadas. De acordo com as estimativas europeias, as exportações para o Mercosul poderão aumentar até 39% e garantir 440 mil postos de trabalho no continente.
O acordo, que começou a ser negociado em 1999, mas permaneceu engavetado por longos períodos, ganhou tração no fim de 2024, com empenho do Brasil e de países europeus com pauta exportadora, como Alemanha e Espanha. O premiê alemão festejou a decisão com recado para seus opositores.
“Vinte e cinco anos é muito tempo. É fundamental que os próximos acordos de livre comércio sejam concluídos rapidamente”, disse Friedrich Merz.
Nos últimos meses, o tratado ganhou peso geopolítico, diante das tarifas de Donald Trump e sua renovada ofensiva contra o multilateralismo. A aprovação ocorre dias depois da intervenção americana na Venezuela e de reiteradas ameaças à Groenlândia, território autônomo que faz parte do Reino da Dinamarca e, portanto, da UE.
COLLOR E CRIAÇÃO DO MERCOSUL
COLLOR E CRIAÇÃO DO MERCOSUL
Coube ao então Presidente Fernando Collor, em 1991, conduzir o processo político que resultou no Tratado de Assunção, marco da criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul). A iniciativa reuniu Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai em um projeto de integração econômica regional. Ao longo desse período,
Fernando Collor acompanhou e participou do debate institucional, especialmente durante sua atuação no Senado Federal. Como presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), defendeu que o texto do acordo preservasse o equilíbrio entre os blocos e evitasse cláusulas consideradas desvantajosas aos países sul-americanos.
Para Collor, passadas mais de três décadas da criação do Mercosul, o acordo com a União Europeia representa o passo mais relevante para o aprofundamento da integração regional e para a ampliação da participação do bloco no comércio mundial.
A conclusão das negociações chegou a ser anunciada em 2019, duas décadas após a primeira reunião de cúpula entre Mercosul e União Europeia. O processo, no entanto, passou por revisões e exigências adicionais, sobretudo por parte do bloco Europeu, pressionado por setores agrícolas de países-membros.
Na avaliação do ex-Presidente, tanto na retomada quanto na etapa final das negociações, o Brasil exerceu papel central na composição de interesses, na busca de consensos e no enfrentamento de resistências. Ele considera que, após um longo período de indefinições, o Mercosul retoma sua vocação original de dinamizar a economia regional por meio da integração comercial, tendo o acordo com a União Europeia como marco desse processo.
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