Preços do petróleo e do gás disparam após ataques a refinarias

Barril de petróleo do tipo Brent chegou a registrar US$ 118 na máxima do dia; ataques iranianos elevaram os valores

Por Metrópoles 19 de Março de 2026 às 13:18
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Preços do petróleo e do gás disparam após ataques a refinarias
Imagem: Reprodução/X
Os preços do petróleo e do gás registraram uma disparada na manhã desta quinta-feira (19), após a escalada nos ataques de Israel e do Irã a campos energéticos e refinarias em ambos os países. O petróleo do tipo Brent, referência para o preço da commoditie no mercado internacional, chegou a superar a marca de US$ 118, no que é, até o momento, a máxima do dia.

Por volta das 6h30 desta quinta, o barril de petróleo tipo Brent chegou a US$ 118,20. Até a última atualização desta reportagem, às 9h, o valor da commoditie apresentava variação entre US$ 113 e US$ 115 — marca ainda considerada alta.

A alta registrada nesta quinta foi influenciada por novos ataques iranianos a instalações energéticas e refinarias no Golfo Pérsico. Os ataques voltaram a gerar instabilidade no mercado financeiro e aumentaram o temor quanto a um possível desabastecimento mundial.

Na Europa, os preços do gás atingiram recordes. No atacado na Holanda, a commoditie subiu 24%, saltando para € 68 o megawatt-hora, o maior valor desde o final de dezembro de 2022.

Os preços do gás no Reino Unido também registraram aumento e mais que dobraram desde o final de fevereiro. O preço do gás no atacado no país para o mês seguinte subiu 23% na manhã desta quinta, indo para 1,72 libra por termia (unidade energética usada na Europa), o maior nível desde agosto de 2022.

Nessa quarta-feira (18/3), Israel atacou o enorme campo de gás de Pars, no Irã, no que foi o maior bombardeio à infraestrutura energética iraniana no Golfo durante a guerra no Oriente Médio.

Em represália, o Irã atingiu o complexo de gás qatari de Ras Laffan, no Catar, o maior local de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo. Em nota, o país alegou “danos consideráveis” às estruturas do complexo.

Uma refinaria na Arábia Saudita e outras duas no Kuwait também foram atingidas por drones iranianos. Além disso, uma instalação de gás em Abu Dhabi foi atingida.

Os efeitos também foram sentidos no Egito. O país anunciou que passará por racionamento energético desde o aumento do preço dos combustíveis causados pelas hostilidades no Oriente Médio.

Trump ameaça

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quinta realizar um novo ataque ao campo de gás iraniano de South Parsm caso Teerã mantenha seus ataques contra o Catar, segundo maior exportador de GNL (gás natural liquefeito).

Caso o Irã “decida atacar um país inocente como o Catar”, então “os Estados Unidos, com ou sem a ajuda ou o consentimento de Israel, destruirão todo o campo de gás de South Pars com uma força e um poder que o Irã jamais viu ou conheceu antes”, escreveu Trump em sua rede Truth Social.


O presidente norte-americano confirmou que Israel atingiu, nessa quarta, a parte iraniana do campo de gás offshore no Golfo Pérsico, compartilhado com o Catar. Os EUA “não sabiam de nada” sobre esse ataque, garantiu Trump.

O Catar é o segundo maior exportador mundial de GNL, atrás dos EUA, e Ras Laffan é seu principal centro de produção. Nos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi fechou um complexo de gás após a queda de destroços de mísseis interceptados.

O Ministério das Relações Exteriores do Catar lamentou que os ataques na região “tenham ultrapassado todos os limites ao visar civis e instalações civis e vitais”. O ataque voltou a elevar o preço do petróleo, e o barril de Brent ultrapassou US$ 112.

Nova fase da guerra

A ameaça de Trump envolvendo o campo de gás de South Pars e os ataques iranianos contra instalações de produção de hidrocarbonetos podem indicar uma nova fase da guerra que começou no dia 28 de fevereiro, com consequências econômicas imprevisíveis para o Irã e outros países.

O campo é o maior do mundo, e cerca de 80% do gás iraniano é produzido no local. O complexo também produz 4 milhões de litros de gás natural liquefeito, 3 milhões de litros de combustível para aviões e outras substâncias.

O gás é usado por toda a população iraniana para calefação ou cozinha, o que torna o fornecimento essencial para o país. Além de South Pars, as refinarias iranianas de Bandar Abbas produzem diariamente 43 milhões de litros de gasolina — cerca de 40% do consumo nacional.

Ainda nesta quinta, uma refinaria saudita em um porto estratégico do Mar Vermelho e outras duas no Kuwait foram atingidas por drones. “Um drone caiu sobre a refinaria saudita de Samref, localizada na zona industrial de Yanbu, às margens do Mar Vermelho”, informou o Ministério da Defesa saudita. “A avaliação dos danos está em curso”, acrescentou.

O ministério havia afirmado anteriormente, no X, ter interceptado um míssil balístico que visava ao porto de Yanbu, que abriga a zona industrial e é uma importante rota de saída do petróleo saudita desde a quase paralisação do Estreito de Ormuz.

A refinaria de Samref, pertencente ao gigante petrolífero saudita Aramco e à Mobil Yanbu Refining Company Inc., subsidiária da ExxonMobil, tem capacidade de processamento de mais de 400 mil barris de petróleo bruto por dia.