Anuncie aqui

Sergio Moro vence no 1º turno e é eleito governador do Paraná

Senador confirmou favoritismo da campanha e vai suceder Ratinho Junior no Palácio Iguaçu. Posse será em 6 de janeiro de 2027

Por Metrópoles

· 4 min de leitura

Compartilhar

Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X
Sergio Moro vence no 1º turno e é eleito governador do Paraná
Foto: Victor Coutant
O senador Sergio Moro (PL) foi eleito neste domingo (4/10) governador do Paraná no primeiro turno.

Aos 54 anos, Moro assumirá o Palácio Iguaçu em 6 de janeiro de 2027 e sucederá Ratinho Junior (PSD), que encerra oito anos à frente do estado. O empresário Edson Vasconcelos (PL), ex-presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), será o vice-governador.

A vitória encerra no primeiro turno uma disputa que teve Moro na liderança desde o início da campanha. O senador chegou à reta final à frente em todos os principais levantamentos, mas ainda havia dúvidas sobre a possibilidade de liquidar a eleição já neste domingo.

As últimas semanas foram marcadas pelas tentativas dos dois principais adversários de reduzir a vantagem. De um lado, Ratinho Junior entrou pessoalmente na campanha de Sandro Alex para tentar levar o candidato escolhido para sua sucessão ao segundo turno. Do outro, Requião Filho contou com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ratinho Jr. entrou em campo contra Moro

A ofensiva mais intensa partiu do grupo que deixa o Palácio Iguaçu. Ratinho Junior chegou a se licenciar do governo em setembro para percorrer o estado ao lado de Sandro Alex, seu ex-secretário de Infraestrutura, e passou a atacar diretamente o líder das pesquisas.

O governador, que é dono de grandes índices de aprovação, tentou transferir parte dessa popularidade para o candidato do PSD. Sandro Alex cresceu nos levantamentos e entrou na última semana disputando com Requião Filho a segunda colocação.

Ao mesmo tempo, Ratinho Junior passou a recuperar episódios do rompimento entre Moro e Jair Bolsonaro (PL). Em uma das ofensivas, ele acusou o senador de ter “traído” o ex-presidente quando deixou o Ministério da Justiça, em 2020.

Moro rebateu publicando um vídeo antigo, de 2020, em que o governador faz elogios ao senador. O recurso foi criticado por Ratinho Junior, que chegou a chamar o ex-juiz da Lava Jato de “bijuteria”.

Tentando evitar confrontos e perder tração nas pesquisas, Sergio Moro também faltou a debates e preferiu concentrar agendas em viagens. As ausências viraram munição para os adversários, que passaram a cobrar sua participação nos encontros.

Quem é Sergio Moro

  • Tem 54 anos e nasceu em Maringá (PR), em 1º de agosto de 1972.
  • É formado em Direito pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e tem mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
  • Foi juiz federal de 1996 a 2018 e atuou, entre outros casos, no Banestado e na Operação Lava Jato.
  • Deixou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça, cargo que ocupou entre 2019 e 2020.
  • Foi eleito senador pelo Paraná em 2022, para mandato de 2023 a 2031.
  • Filiou-se ao PL em 2026 e entrou na disputa pelo governo do Paraná.

Aliança com o clã Bolsonaro

Sergio Moro entrou na eleição depois de reconstruir a relação com a família Bolsonaro. A candidatura ao governo só foi viabilizada depois de uma mudança partidária.

Moro deixou o União Brasil em março, após enfrentar dificuldades para garantir espaço na federação formada pelo partido com o PP, e se filiou ao PL.

A entrada na legenda teve o apoio da cúpula nacional do partido e de Flávio Bolsonaro. O candidato do PL à Presidência passou a ter Moro como um de seus principais palanques estaduais, enquanto o senador voltou a dividir o mesmo campo político da família com a qual havia rompido seis anos antes.

Nascido em Maringá, Moro passou 22 anos na magistratura e ganhou projeção nacional à frente de processos da Operação Lava Jato em Curitiba. Ele foi responsável pela condenação de Lula, em 2017, no caso do tríplex do Guarujá.

As condenações do petista foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e a Corte decidiu, em 2021, que Moro havia atuado com parcialidade naquele processo.

A projeção obtida na Lava Jato levou o então juiz ao governo Bolsonaro. Moro deixou a magistratura no fim de 2018 para assumir o Ministério da Justiça e permaneceu no cargo até abril de 2020.

A saída ocorreu em meio a uma crise com Bolsonaro pela troca no comando da Polícia Federal. Moro acusou o então presidente de tentar interferir na corporação e, nos anos seguintes, endureceu as críticas ao antigo chefe.

Ele chegou a afirmar que Bolsonaro mentia e a mencionar o caso das “rachadinhas” envolvendo o antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Dois anos depois do rompimento, Moro tentou construir uma candidatura à Presidência da República, mas desistiu da disputa. Acabou concorrendo ao Senado pelo Paraná em 2022 e venceu sua primeira eleição, com 1,95 milhão de votos, o equivalente a 33,5% dos votos válidos.

Compartilhar

Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X