Homem é julgado por deixar namorada morrer em montanha
Austríaco é acusado de homicídio culposo após companheira morrer de hipotermia a poucos metros do cume do Grossglockner, sob temperaturas de -20°C
Por Notícias ao Minuto
19 de Fevereiro de 2026 às 11:37
Imagem: Kerstin Gurtner/ Facebook
Um homem de 39 anos foi levado a julgamento na Áustria sob acusação de homicídio culposo após a morte da namorada durante uma escalada na montanha Grossglockner, a mais alta do país. A vítima, Kerstin Gurtner, de 33 anos, morreu em janeiro de 2024, após ficar exposta a temperaturas que chegavam a -20°C.
O réu, Thomas Plamberger, nega responsabilidade e afirmou em sua primeira audiência que a própria namorada teria pedido para que ele fosse embora. “Ela me disse para ir embora”, declarou em tribunal.
Segundo a acusação, o casal enfrentou condições extremas durante a tentativa de chegar ao cume da montanha, que tem 3.797 metros de altitude. De acordo com o Ministério Público, os dois teriam se perdido pouco antes das 21h e não estavam devidamente equipados para enfrentar o frio intenso.
A promotoria sustenta que Kerstin foi deixada a cerca de 50 metros do topo em estado grave de hipotermia. O réu é acusado de ter cometido uma série de falhas, incluindo a escolha inadequada de equipamentos e a demora em acionar os serviços de resgate, mesmo após perceber que a situação era crítica. A acusação afirma ainda que ele a deixou “exausta, hipotérmica e desorientada”.
O primeiro contato com as autoridades ocorreu apenas às 1h35 da madrugada, cerca de quatro horas após o casal começar a enfrentar dificuldades. Segundo os autos, por volta das 22h50, os dois chegaram a avistar um helicóptero, mas não teriam feito sinal de socorro.
Imagens de uma câmera instalada na trilha registraram Plamberger descendo a montanha por volta das 2h30. Uma hora depois, ele voltou a ligar para as autoridades. Outras gravações mostram o acampamento improvisado onde o corpo de Kerstin foi posteriormente localizado.
A investigação também aponta que havia cobertores térmicos disponíveis, mas que eles não foram utilizados.
Durante o julgamento, o réu contou com o apoio da mãe da vítima. Ela criticou a forma como a filha tem sido retratada e disse considerar injusto o tratamento dado ao namorado. “Fico irritada por Kerstin estar sendo retratada como uma pessoa ingênua que se deixou levar pela montanha. Acho injusto o que ele está enfrentando. Há uma caça às bruxas contra ele na mídia e na internet”, afirmou.
Se condenado por homicídio culposo, Plamberger pode pegar até três anos de prisão. O caso segue em julgamento.
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