Senado aprova PL Antifacção por unanimidade; texto retornará à Câmara
Senado aprovou relatório de Alessandro Vieira (MDB-SE), que vetou mudanças polêmicas feitas no texto original do governo federal
Por Metrópoles
10 de Dezembro de 2025 às 22:18
Imagem: Jonas Pereira/Agência Senado
O Senado Federal aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (10), o Projeto de Lei 5.582/2025, conhecido como “PL Antifacção”. O relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), reinstaurou a criação do tipo penal de facção criminosa, estabeleceu um fundo nacional específico para combater o crime organizado e vetou mudanças polêmicas feitas no texto do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por isso, o projeto deverá retornar à Câmara, onde os deputados deverão decidir se mantêm ou não as mudanças.
No Senado, foram 64 votos a favor e nenhum contrário. O relatório atendeu boa parte das reivindicações do governo, cujo teor foi alvo de embate na Câmara sob a relatoria do ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP).
No Senado, foram 64 votos a favor e nenhum contrário. O relatório atendeu boa parte das reivindicações do governo, cujo teor foi alvo de embate na Câmara sob a relatoria do ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP).
Além da tipificação de facções criminosas, com penas de 15 a 30 anos de prisão, o emedebista incorporou medidas assecuratórias que haviam sido pedidas pelo Planalto. Vieira também retirou a vedação da concessão de auxílio-reclusão e a restrição ao voto para presos. Ambos os dispositivos foram considerados inconstitucionais pelo relator.
Esse último ponto ainda poderá ser retomado no Congresso, pois o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, na Câmara, deputado Mendonça Filho (União-PE), incorporou a proibição ao voto para presos provisórios no parecer, atendendo Derrite, como uma forma de driblar a vedação constitucional feita por Vieira.
Divisão dos bens apreendidos
Esse último ponto ainda poderá ser retomado no Congresso, pois o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, na Câmara, deputado Mendonça Filho (União-PE), incorporou a proibição ao voto para presos provisórios no parecer, atendendo Derrite, como uma forma de driblar a vedação constitucional feita por Vieira.
Divisão dos bens apreendidos
Apesar das mudanças, Alessandro Vieira elogiou Derrite pela condução da relatoria. O deputado, que deixou o comando da Segurança Pública de São Paulo, fez mudanças profundas no projeto do governo. Ele criou novos tipos penais e determinou uma nova organização de uso dos recursos apreendidos do crime, entre a União, Estados e Municípios.
Em caso de operações realizadas pelas polícias locais, os recursos apreendidos serão destinados aos fundos de Segurança Pública locais. Nas apreensões da Polícia Federal, irão para o Fundo Nacional de Segurança Pública. Em caso de operações conjuntas, os bens serão repartidos igualmente. A determinação desagradou a cúpula da PF, que alegou que enfrentaria problemas de financiamento.
Em caso de operações realizadas pelas polícias locais, os recursos apreendidos serão destinados aos fundos de Segurança Pública locais. Nas apreensões da Polícia Federal, irão para o Fundo Nacional de Segurança Pública. Em caso de operações conjuntas, os bens serão repartidos igualmente. A determinação desagradou a cúpula da PF, que alegou que enfrentaria problemas de financiamento.
No Senado, Vieira estipulou a criação de um fundo específico para o combate ao crime organizado. Esses recursos serão separados do Fundo Nacional de Segurança Pública e serão provenientes da criação de um novo imposto sobre casas de apostas on-line – as bets. Os recursos deverão somar, segundo projeções do Banco Central, R$ 30 bilhões por ano.
Relatório agradou Lewandowski
O parecer apresentado por Vieira foi elogiado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, que o classificou como “altamente satisfatório”.
“Eu acho que o projeto está altamente satisfatório, tem um elevadíssimo nível técnico e incorporou grande parte das nossas sugestões, das sugestões do Ministério da Justiça e Segurança Pública. E diga-se: essas sugestões foram fruto de um trabalho de seis meses, consultando a sociedade civil, consultando as universidades, consultando os secretários de Segurança Pública; enfim, todos os nossos setores do próprio Ministério da Justiça e Segurança Pública”, disse Lewandowski.
“Eu acho que o projeto está altamente satisfatório, tem um elevadíssimo nível técnico e incorporou grande parte das nossas sugestões, das sugestões do Ministério da Justiça e Segurança Pública. E diga-se: essas sugestões foram fruto de um trabalho de seis meses, consultando a sociedade civil, consultando as universidades, consultando os secretários de Segurança Pública; enfim, todos os nossos setores do próprio Ministério da Justiça e Segurança Pública”, disse Lewandowski.
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