Prova pericial fundamenta condenação de réu a mais de 33 anos de prisão por feminicídio, em São Brás

O trabalho minucioso dos peritos oficiais na identificação de substâncias tóxicas foi determinante para a sentença do réu

Por Redação NN1 com Ascom Polícia Cientifica 17 de Março de 2026 às 17:23
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Prova pericial fundamenta condenação de réu a mais de 33 anos de prisão por feminicídio, em São Brás
Imagem: Ascom Polícia Cientifica
A atuação técnica da Polícia Científica de Alagoas foi decisiva para a condenação de Felippe Silva Cirino, sentenciado a 33 anos, dois meses e 19 dias de prisão no julgamento pelo feminicídio da ex-esposa, a professora Joice dos Santos Silva Cirino. Ele também foi consenado pela tentativa de homicídio contra o filho do casal, de 15 anos, em São Brás, no Agreste alagoano.

A sentença, proferida após 13 horas de julgamento, baseou-se na robusta materialidade produzida pela perícia oficial. O crime, marcado pelo uso de veneno em alimentos oferecidos às vítimas, demandou uma investigação científica complexa que envolveu diferentes unidades da Polícia Científica, desde o levantamento de local de crime até análises laboratoriais de alta precisão. 

A Investigação Técnico-Científica
 


Os trabalhos tiveram início logo após o crime, quando a equipe do Instituto de Criminalística do Agreste (ICA) foi acionada para periciar a residência da vítima. No local, a perita criminal Isadora Davi realizou o levantamento fotográfico, a análise do ambiente e a coleta de vestígios papiloscópicos e materiais biológicos, entre eles, sobras de alimentos.

“Em casos como esse, de suspeita de envenenamento, é importante identificar a substância responsável pela intoxicação ou envenenamento, que pode estar em sobras de alimentos (sólidos e líquidos), e que os exames periciais também são realizados a partir de amostras coletadas na vítima, no Instituto de Medicina Legal, e analisadas no Laboratório de Toxicologia Forense”, explicou na época a perita.

Enquanto o ICA processava a cena do crime, o Instituto de Medicina Legal (IML) de Arapiraca realizava a necropsia da professora. Durante o procedimento, o médico legista coletou amostras de sangue, humor vítreo e conteúdo estomacal, enviando-as ao Laboratório de Química e Toxicologia da Polícia Científica, em Maceió.

O Papel da Toxicologia Forense

 
Um ponto crucial foi a análise de alimentos encontrados no imóvel. Embora líquidos coletados no dia tenham dado negativo para veneno, o resultado ajudou a investigação a descartar ingestão acidental e focar nas coxinhas fornecidas pelo autor, poucas horas dela morrer.

O laudo pericial, divulgado dez dias após o óbito, confirmou a presença das substâncias sulfotep e terbufós no organismo da vítima. De acordo com o chefe do Laboratório Forense, Thalmanny Goulart, foi utilizada a técnica de cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas para identificar os compostos.

"O sulfotep e o terbufós são organofosforados altamente tóxicos que atuam no sistema nervoso central. São substâncias de uso restrito e proibidas como raticidas domésticos devido à sua letalidade", explicou Goulart à época. A identificação exata desses componentes permitiu ao Ministério Público sustentar a qualificadora de "meio cruel", uma vez que o envenenamento provoca sofrimento intenso.

Justiça através da ciência

Para o Ministério Público de Alagoas, a precisão dos laudos da Polícia Científica foi fundamental para converter a suspeita em prova jurídica inquestionável. O promotor de Justiça Alex Almeida destacou que a perversidade planejada pelo réu — que simulou um gesto de cortesia ao oferecer o alimento envenenado — foi tecnicamente comprovada pelos peritos.

Para o perito-geral, Kleber Santana, o desfecho do caso reforça o papel institucional da Polícia Científica de Alagoas na promoção da justiça. Para ele, o trabalho integrado entre os Institutos que compõem o órgão, tem garantido que a análise técnica dos vestígios ofereça o suporte necessário para o combate à violência contra a mulher e a impunidade.