O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concluiu as mudanças previstas com a saída de ministros que disputarão as eleições deste ano e, ao todo, exonerou 17 auxiliares que chefiavam quase metade das pastas da Esplanada dos Ministérios.
Com exceção do desligamento do ex-ministro Fernando Haddad, ocorrido em 20 de março, todas as demais saídas foram oficializadas nos últimos dias por meio do Diário Oficial da União (DOU).
No total, foram 18 mudanças ministeriais, já que o então titular da Pesca e Aquicultura, André de Paula, foi remanejado para o Ministério da Agricultura e Pecuária, sucedendo Carlos Fávaro.
De acordo com a legislação eleitoral, autoridades que desejam disputar cargos diferentes daqueles que ocupam devem deixar o posto até seis meses antes do pleito. O processo, chamado de desincompatibilização, se encerra neste sábado (4/4).
Na última terça-feira (31/3), Lula comandou uma reunião ministerial com os auxiliares que deixam o governo e seus substitutos. Ministros que não participarão da corrida eleitoral também estiveram presentes.
Na ocasião, o presidente pediu aos novos titulares que deem continuidade ao trabalho desenvolvido desde o início da gestão. O petista ponderou que não é momento de “inventar” novos programas, mas de concluir entregas e garantir que a “máquina siga funcionando”. As exonerações e nomeações começaram a ser oficializadas após o encontro.
Apesar disso, ainda não há definição oficial para os comandos de algumas pastas, como a de Relações Institucionais, deixada por Gleisi Hoffmann; a de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ocupada por Geraldo Alckmin; e a de Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, comandada por Márcio França.
Ministros que eram cotados para deixar o governo, como o da Previdência Social, Wolney Queiroz, e o da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, decidiram adiar os planos eleitorais e permanecer nos cargos.
Veja quem saiu e que cargo pretende disputar:
- Fernando Haddad (Fazenda) — pré-candidato ao governo de São Paulo;
- Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária) — pré-candidato ao Senado por Mato Grosso;
- Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) — pré-candidato à Câmara dos Deputados por São Paulo;
- Macaé Evaristo (Direitos Humanos) — pré-candidata à Assembleia Legislativa de Minas Gerais;
- André Fufuca (Esporte) — cotado para disputar o Senado ou o governo do Maranhão;
- Sonia Guajajara (Povos Indígenas) — pré-candidata à Câmara dos Deputados por São Paulo;
- Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) — pré-candidata ao Senado por São Paulo;
- Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) — pré-candidato à Câmara dos Deputados por Pernambuco;
- Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) — cotada para concorrer ao Senado por São Paulo ou ser vice na chapa de Haddad ao governo do estado;
- Renan Filho (Transportes) — pré-candidato ao governo de Alagoas;
- Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) — pré-candidata ao Senado pelo Paraná;
- Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) — vai disputar a reeleição como vice de Lula;
- Rui Costa (Casa Civil) — pré-candidato ao Senado pela Bahia;
- Jader Filho (Cidades) — pré-candidato à Câmara dos Deputados pelo Pará;
- Camilo Santana (Educação) — vai auxiliar a campanha pela reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT);
- Anielle Franco (Igualdade Racial) — pré-candidata à Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro;
- Márcio França (Empreendedorismo) — sem definição sobre candidatura, vai ajudar na campanha de Haddad em São Paulo.
Quem são os substitutos (já oficializados):
- Dario Durigan — Fazenda;
- André de Paula — assumiu o Ministério da Agricultura e Pecuária no lugar de Fávaro;
- Miriam Belchior — Casa Civil;
- George Santoro — Transportes;
- Antônio Vladimir Lima — Cidades;
- Leonardo Barchini — Educação;
- Bruno Moretti — Planejamento e Orçamento;
- Tomé Barros da Franca — Portos e Aeroportos;
- João Paulo Capobianco — Meio Ambiente e Mudança do Clima;
- Rivetla Edipo Cruz — Pesca e Aquicultura;
- Fernanda Machiaveli — Desenvolvimento Agrário;
- Rachel Barros de Oliveira — Igualdade Racial;
- Eloy Terena — Povos Indígenas;
- Paulo Henrique Perna — Esportes;
- Janine Mello dos Santos — Direitos Humanos e Cidadania.
Quem fica no governo:
- André de Paula — Agricultura e Pecuária;
- Guilherme Boulos — Secretaria-Geral da Presidência;
- Sidônio Palmeira — Secretaria de Comunicação Social;
- Marcos Amaro — Gabinete de Segurança Institucional;
- Luciana Santos — Ciência, Tecnologia e Inovações;
- Frederico de Siqueira Filho — Comunicações;
- Margareth Menezes — Cultura;
- José Mucio — Defesa;
- Wellington Dias — Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome;
- Esther Dweck — Gestão e da Inovação em Serviços Públicos;
- Wellington César Lima e Silva — Justiça e Segurança Pública;
- Alexandre Silveira — Minas e Energia;
- Márcia Lopes — Mulheres;
- Mauro Vieira — Relações Exteriores;
- Alexandre Padilha — Saúde;
- Luiz Marinho — Trabalho e Emprego;
- Gustavo Feliciano — Turismo;
- Wolney Queiroz — Previdência Social;
- Waldez Góes — Integração e do Desenvolvimento Regional.