O Fluminense que entrou em campo contra o Bolívar, na noite desta quinta-feira (30), no Estádio Hernando Siles, na Bolívia, foi irreconhecível. Até pode haver quem diga que o time foi apático em outros jogos em 2026, porém, nada comparável ao que se viu no duelo da terceira rodada da fase de grupos da Libertadores.
A derrota por 2 a 0 é mais um insucesso do time na competição. São três jogos, duas derrotas e um empate. Com isso, o Fluminense amarga a lanterna do Grupo C, com apenas um ponto em nove disputados — 11% de aproveitamento. Há risco de eliminação precoce.
É inevitável mencionar que a altitude de La Paz, uma das mais temidas da América do Sul (3,6 mil metros), foi determinante no desempenho do time — o que não passa por uma análise técnica, mas por uma questão física. O time de Luis Zubeldía, que normalmente pressiona a saída de bola do adversário com marcação alta, por exemplo, pouco se esforçou para tal. Era uma tentativa nítida de mudar o estilo para superar a adversidade climática.
Dessa forma, entregou a bola ao Bolívar. Como normalmente propõe o jogo, o Fluminense teve dificuldade de atuar sem a posse. Com um extra: atuar com um jogador a menos durante praticamente todo o segundo tempo, já que o volante Bernal foi expulso no início da etapa complementar. O que já era considerado difícil, ganhou ares mais dramáticos.
Foram duas mudanças, por opção técnica, em relação ao time que venceu a Chapecoense, em uma atuação que foi exemplo na criação de chances (30 no total). Zubeldía optou por começar com o zagueiro Ignácio e o lateral Renê.
A equipe teve dificuldade para se defender e criou muito abaixo do que o normal: foram apenas seis finalizações, contra 14 dos bolivianos.
E não demorou para que o time da casa abrisse o placar. O Bolívar saiu na frente ainda no primeiro tempo, com Robson Matheus — filho de pai boliviano e mãe brasileira —, após cruzamento pelo lado esquerdo. A zaga, composta por Ignácio e Freytes, ficou estática dentro da área, e o meia finalizou com tranquilidade. Ele mesmo, já no segundo tempo, voltou a aparecer na área para marcar o segundo.
Zubeldía até tentou ajustar o time na etapa complementar: colocou John Kennedy, Soteldo, Alisson e Guilherme Arana. As entradas deram, literalmente, novo fôlego à equipe, mas também confirmaram o diagnóstico de que o Flu esteve irreconhecível no jogo, sem esboçar poder de reação.
Para Zubeldía, o gol sofrido no início condicionou o rumo do duelo, assim como atuar com um jogador a menos em uma condição adversa.
Agora, porém, não há mais margem para erros. O Fluminense precisa reagir e vencer o embalado — e com 100% de aproveitamento — Independiente Rivadavia para seguir sonhando com a vaga. Depois, ainda terá os dois últimos jogos em casa, no Maracanã.
O cenário é dramático, mas, se depender da confiança do treinador, o Fluminense, mesmo lanterna do Grupo C, estará nas oitavas: