Assim que chegou ao Vasco, o técnico Renato Gaúcho garantiu que o Brasileirão era a prioridade do clube na temporada. Com isso, o planejamento foi de utilizar o time principal no campeonato — que, de fato, teve bons resultados no início do trabalho —, enquanto a Sul-Americana teve times reservas, recheados de jovens jogadores. Nesse domingo (31), o apito final da última partida do clube antes da paralisação da Copa decretou que, nesse primeiro momento, praticamente tudo deu errado. O Vasco perdeu para o Atlético-MG por 1 a 0, passará toda a parada para a Copa do Mundo na zona de rebaixamento e ainda voltará tendo que disputar duas partidas de play-offs para tentar uma vaga nas oitavas da Sul-Americana em meio ao calendário de Brasileirão e Copa do Brasil.
O time perdeu a terceira seguida no Brasileiro, com problemas muito parecidos do revés anterior, o 3 a 0 para o Bragantino: pouca organização, dificuldade para construir e limitações, em especial, para finalizar.
Para o torcedor, que lotou as arquibancadas e apoiou bastante em um claro momento de trégua após protestos e campanha de público zero, ficou a decepção de um jogo acessível, em que um Galo com muitos desfalques não precisou de força para vencer num estádio em que não triunfava desde 2019. No fim, vaiou, com razão.
O primeiro tempo foi bastante aberto para ambas as equipes. O Vasco encontrava espaço pelo meio da defesa do Atlético enquanto o Galo ganhava campo pelos corredores. O cruz-maltino começou superior e criando chances mais perigosas por ganhar mais as segundas bolas.
Logo no primeiro lance da partida, Spinelli desviou cruzamento de Adson e obrigou Everson a fazer grande defesa . O Vasco ainda teve outra ótima oportunidade com Rojas, que apareceu sozinho dentro da área, mas demorou demais a finalizar e parou no goleiro.
O Galo cresceu. Reinier obrigou Léo Jardim a fazer grande defesa em chute colocado. Na sequência, no escanteio, Vitor Hugo subiu praticamente sozinho para marcar o gol que seria o da vitória. Em outro problema crônico cruz-maltino, a bola aérea defensiva.
Num segundo tempo mais morno, o Vasco tentou se lançar para o ataque com as mexidas de Renato, mas exalou desorganização. Os visitantes também não ofereciam grande perigo nos contra-ataques. As melhores chances vieram com Adson, em chute de longe, e com o jovem Bruno Lopes, que parou em Everson.
A paralisação dá ao Vasco mais de um mês de reflexão, além da oportunidade de tentar recalcular rotas na janela de transferências (que abre no dia 20 de julho). Até aqui, reforços como Saldivia, Marino, Brenner e Spinelli não engrenaram. São indicativos de lacunas num elenco que tem, também, problemas coletivos de consistência de rendimento.
Na entrevista coletiva, Renato indicou que a capacidade de investir na janela dependerá de negociações da diretoria, que busca um patrocínio máster e a revenda da SAF.
— A partir daí vamos trocar ideias para ver o que pode ser feito. Se não entrar dinheiro, vamos continuar com esse grupo, tentar alguns jogadores na base. Milagre eu não posso fazer.