A Fifa e a Associação de Clubes Europeus (EFC) costuraram uma parceria que prevê a ampliação do Mundial de Clubes para 48 participantes a partir de 2029. A mudança segue o modelo adotado no Mundial de seleções e visa aumentar o teto de representantes por país. A estratégia comercial pretende elevar o valor de mercado do torneio, com impacto direto na venda de direitos de transmissão e contratos publicitários. As informações iniciais são do jornal "The Guardian".
Na edição inaugural de 2025, disputada nos Estados Unidos com 32 equipes, o Chelsea faturou cerca de 84 milhões de libras (cerca de R$575,8 milhões) ao vencer o PSG na final. As cifras motivaram a pressão das potências europeias por vagas adicionais, já que critérios rígidos baseados no coeficiente da Uefa e o limite de dois clubes por nação deixaram gigantes como Liverpool, Barcelona e Napoli fora da primeira edição.
Investimento bilionário e o retorno do Real Madrid
A consolidação financeira do torneio ganhou força após um acordo global de transmissão de 1 bilhão de dólares com a plataforma de streaming DAZN, viabilizado por um aporte da "Surj Sports Investments", empresa que conta com o apoio do governo da Arábia Saudita.
No campo político, a EFC — presidida por Nasser al-Khelaifi, mandatário do PSG — unificou os principais blocos do continente após a readmissão do Real Madrid. O clube espanhol cumpriu cinco anos de suspensão devido ao projeto da Superliga Europeia, mas retornou à associação após oficializar a saída do bloco dissidente. A Fifa utiliza como referência o sucesso comercial da EFC junto à Uefa, que gerou um crescimento de 25% nas receitas de mídia para o ciclo de torneios continentais a partir de 2027.
Impasse nos bastidores: pagamentos de solidariedade atrasados
Apesar dos planos de expansão, a entidade máxima do futebol e as confederações enfrentam entraves operacionais:
- Premiação principal: O montante de 740 milhões de libras (aproximadamente R$ 5,1 bilhões) destinado aos participantes de 2025 já foi quitado.
- Fundo de solidariedade: O repasse de 185 milhões de libras (cerca de R$ 1,26 bilhão) para clubes que não jogaram o torneio segue retido por falta de consenso entre as seis confederações sobre a divisão.
- Impacto: A promessa inicial previa cerca de 50 mil libras (cerca de R$ 261 mil) para cada equipe de primeira divisão do mundo, e o atraso de um ano gera queixas nos bastidores.
A definição sobre o formato de 2029 depende diretamente da resolução desse impasse financeiro. Embora a federação internacional ainda não tenha definido o país-sede da próxima edição, o calendário de competições continentais já carimbou o passaporte de sete clubes.