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Flávio Bolsonaro defende EUA e diz que Lula 'lambe as botas da China'

Senador participou de audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre o novo tarifaço.

Por g1 08 de Julho de 2026 às 19:39
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 Flávio Bolsonaro defende EUA e diz que Lula 'lambe as botas da China'
Em meio ao risco de nova ofensiva tarifária do governo de Donald Trump ao Brasil, o pré-candidato à Presidência da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, defendeu nesta quarta-feira (8) os Estados Unidos e disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "lambe as botas da China".

Na terça-feira (7), Flávio Bolsonaro participou de audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre o novo tarifaço.

"Vim [aos Estados Unidos] proteger o Brasil das tarifas e também do Lula. Todo mundo tá vendo o vexame que tá sendo o Lula na parte internacional, alguém que a todo momento ataca os Estados Unidos, faz questão de dizer que é antiamericano (...) Alguém que tem uma posição ideológica, que é diferente da minha, obviamente, mas ele [presidente Lula] faz uma coisa que eu jamais faria, que é colocar a ideologia acima dos interesses do povo. É isso que ele tá fazendo. Ele lambe as botas da China e taca pedra nos Estados Unidos", afirmou Flávio Bolsonaro em uma transmissão na internet.  

O senador disse ainda que tem informações de bastidores que indicam que a tarifa de 25% será de fato aplicada ao Brasil. "Já é uma coisa que está todo mundo falando. Então, assim, cabia a mim fazer uma defesa técnica, mas também política", acrescentou. 

O prazo para os Estados Unidos decidirem se vão colocar em prática tarifas adicionais sobre produtos brasileiros termina em 15 de julho.

Audiência nos Estados Unidos

Na audiência no USTR, Flávio Bolsonaro estava acompanhado do irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos e que, em 2025, quando do anúncio da primeira taxação aos produtos brasileiros, chegou a agradecer o presidente Donald Trump.

Na audiência, o senador dedicou parte do seu discurso a críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e aos governos de Lula e do PT e afirmou que este é o "pior momento possível" para a aplicação da medida e defendeu o seu adiamento.

A participação nas audiências públicas promovidas USTR é aberta aos interessados que se inscreverem. Foi assim que Flávio Bolsonaro ganhou o espaço para falar no evento. A atuação dele é independente e não tem relação com a atuação do governo brasileiro.

O governo brasileiro decidiu não se inscrever para discursar nessas audiências públicas. A embaixada do Brasil nos Estados Unidos preferiu enviar representantes, na condição de observadores.

O entendimento do governo brasileiro é que este espaço, o das audiências públicas, não é o adequado para a negociação, e sim, o das conversas técnicas e de alto nível.

O Executivo segue em tratativas, mas avalia que os argumentos técnicos já foram presentados (veja abaixo). No momento, a expectativa de pessoas a par das negociações é que o governo brasileiro consiga ao menos aumentar o número de exceções na lista dos produtos tarifados.

O que não está nos discusos

Em sua fala, Flávio não mencionou temas como o acesso ao mercado de etanol, o desmatamento e a proteção de propriedade intelectual, citados pela investigação comercial aberta pelos Estados Unidos.

O governo americano diz que o Brasil interrompeu, em 2017, o tratamento tarifário equilibrado aplicado ao etanol e, desde então, não oferece reciprocidade às exportações do combustível vindas dos EUA.

Na argumentação por escrito que o senador enviou ao USTR, ele afirmou há "assimetria tarifária" entre os países e propõe um acordo entre os dois países de tarifa zero para o etanol e açúcar.

Sobre esse tema, o governo brasileiro observa que o USTR não sustenta que a tarifa atual do Brasil sobre o etanol viole quaisquer compromissos bilaterais com os Estados Unidos.

Além disso, afirma que "a tarifa se aplica igualmente a todos os países que não se beneficiam de um acordo preferencial e, portanto, não discrimina contra os Estados Unidos."

O ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) rechaçou na terça-feira (7) a ideia de incluir na mesa de negociações a redução de tarifas do Brasil sobre o etanol norte-americano.

Para o ministro, concessões nesse tópico representariam um "risco" para a região Nordeste, que conta com forte presença de indústria sucroalcooleira.

Resposta governo brasileiro

O governo brasileiro apresentou na última quinta-feira (2) uma resposta formal à conclusão da investigação dos Estados Unidos sobre a proposta do novo tarifaço.

A gestão de Donald Trump acusa o Brasil de práticas "irrazoáveis" que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.

Em documento enviado ao governo americano e assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o Brasil argumentou, em sete pontos, que o USTR não comprovou que políticas brasileiras sejam discriminatórias ou criem barreiras ao comércio dos EUA.

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