O Flamengo voltou a contestar a arbitragem após o empate por 1 a 1 com o São Paulo, no último domingo (26), no Maracanã, pela 20ª rodada do Brasileirão. Em pronunciamento divulgado nesta segunda-feira (27), o diretor de futebol rubro-negro, José Boto, cobrou a Comissão de Arbitragem da CBF por critérios uniformes na aplicação das regras, questionou um lance de possível pênalti por toque no braço e pediu mais transparência na utilização do impedimento semiautomático.
Boto iniciou a manifestação afirmando que não atribui os problemas da arbitragem aos árbitros, mas à falta de uniformidade nas decisões. Além disso, o dirigente citou a participação de árbitros brasileiros na Copa do Mundo para defender que, em competições internacionais, os critérios são mais claros.
— Boa noite. Pediram-me para falar aqui um pouco da arbitragem, em relação ao jogo de ontem, em relação a algumas coisas. Dizer que, primeiro, eu não acho os árbitros brasileiros que sejam maus. Acho que o grande problema do Brasil é a falta de critério. Nós tivemos agora no Mundial o Rafael Claus, o Wilton e o… e tiveram boas atuações porque aí os critérios são claros. Como vimos, por exemplo, uma falta em que aqui no Brasil deu a expulsão do Carrascal, no Mundial nem sequer falta é. É esse o critério. Se o critério é diferente aqui no Brasil, tem que ser sempre o mesmo — iniciou o dirigente.
Na reta final da partida, Arrascaeta tentou invadir a área, mas a bola foi bloqueada por Wendell. Os jogadores do Flamengo se desesperaram pedindo pênalti, mas Daronco alegou que o braço estava colado ao corpo. Ao abordar o lance, Boto afirmou entender que houve infração e criticou o posicionamento da Comissão de Arbitragem. O diretor disse ter consultado árbitros de outros países sobre o lance e reiterou sua interpretação.
— Em relação ao jogo de ontem, há duas coisas. A primeira é ser claro se a utilização do braço ostensivamente, mesmo que o braço esteja perto do corpo, ostensivamente para tirar vantagem, é falta ou não é falta. E vir a Comissão de Arbitragem da CBF dizer que não é falta, e não é falta em nenhum estado do Brasil, não é falta em nenhuma parte do campo, pode-se fazer gols com o braço assim? — questionou o português.
— Porque aquilo que se passou ontem, na minha ótica, e já perguntei até a alguns árbitros amigos que tenho por esse mundo fora, aquilo é pênalti, porque ele tira vantagem da utilização do braço, apesar do braço estar quase junto ao corpo. Mas é clara a intenção dele de desviar a bola e a trajetória da bola com o braço, e não com outra parte do corpo que ia jogar. E o braço, que eu saiba, não é jogável — seguiu.
Embora tenha afirmado considerar Anderson Daronco um "excelente árbitro", Boto disse que a responsabilidade pela definição dos critérios é da Comissão de Arbitragem da CBF e também cobrou atuação do VAR. O dirigente do Flamengo também criticou a divergência de interpretações entre comentaristas de arbitragem.
— De qualquer forma, a Comissão de Arbitragem tem que vir e tem que dizer: "Não, aqui a regra é esta, e a regra é sempre esta". E isso ajuda o árbitro e ajuda o VAR. Porque eu não culpo o Daronco, que até considero um excelente árbitro, mas não culpo porque a visão dele, se calhar, não era a mais clara, mas a do VAR tem que ser clara. E, se a regra é essa, tem que ser essa para sempre, e a CBF tem que dizer que é essa — argumentou Boto.
— O que não pode acontecer é eu ouvir os especialistas de arbitragem e eles dizerem: "Ah, tanto dá, se marcasse para mim estava bem, se não marcasse também está bem". Isso é que não pode ser, porque isso depois vai acontecer que num campo, num estado, não vão marcar, e noutro estado vão marcar. E é isso que cria e que gera as polêmicas e faz com que a arbitragem não tenha a tranquilidade suficiente para poder fazer o bom trabalho que se pede a eles — complementou.
Outro ponto levantado pelo diretor do Flamengo foi o funcionamento do impedimento semiautomático, responsável por anular gol de Samuel Lino já nos minutos finais do duelo com o São Paulo. O dirigente afirmou que a CBF precisa esclarecer em que momento é feita a marcação da linha utilizada para validar ou anular gols.
— Em relação ao impedimento automático, eu acho que há aqui um ponto… que eu não sou especialista em arbitragem, nem especialista em tecnologia, mas há um ponto que tem que ser esclarecido: é quando é que aquela linha é traçada. Porque aquela linha, o fora de jogo, deve ser traçada no momento do passe. E isso nunca é visível nas imagens que eles nos dão — reclamou o dirigente.
José Boto prosseguiu questionando a falta de imagens que demonstrem o instante exato da marcação.
— Porque normalmente aquilo que assistimos, tanto agora na Copa do Mundo como noutras ligas, é uma imagem que mostra a altura da bola a sair e depois é traçada a linha aí e mostra todo o campo. Ali não, só se mostraram os dois jogadores: o pé de um e o pé do outro jogador. Nós não temos a certeza nem sabemos, e eu não estou a duvidar que não seja, que aquela linha foi traçada na altura que o passe é feito, porque é esse que conta — complementou.
Por fim, Boto afirmou que a Comissão de Arbitragem deve prestar esclarecimentos para reduzir as discussões sobre as decisões tomadas em campo.
— E é isso que também a CBF e a Comissão de Arbitragem têm que esclarecer e dizer: "Meus amigos, está certo, está a ser traçado assim, falta-nos um software qualquer para mostrar isso, mas está a ser traçado assim". Porque isso evita qualquer polêmica e a polêmica todos os fins de semana. Mas o que se pede são critérios, critérios iguais, e isso não depende dos árbitros. Isso depende da Comissão de Arbitragem da CBF — concluiu o diretor de futebol do Flamengo.