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Move Motos: crédito tem baixa adesão, com menos de 20 mil operações

Linha de crédito integra conjunto de medidas voltadas a trabalhadores de aplicativos, mas enfrenta entraves adesão abaixo do esperado

Por Metrópoles

· 4 min de leitura

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Move Motos: crédito tem baixa adesão, com menos de 20 mil operações
Foto: Ricardo Stuckert / PR
A linha de crédito criada pelo governo para viabilizar o financiamento de motos para motoristas por aplicativos, Move Motos, registrou um nível de contratação inferior ao projetado, segundo dados do Fundo de Garantia de Operações (FGO).

Desde o lançamento do programa, cerca de 17 mil operações foram financiadas, em um universo considerado baixo diante da demanda potencial e do tamanho da categoria.

Ao todo, foram disponibilizados R$ 386,4 milhões em crédito, mesmo após a ampliação das condições e a inclusão da iniciativa em um conjunto mais amplo de medidas de estímulo em ano eleitoral.

O financiamento integra o programa Move Brasil, que reúne diferentes linhas voltadas a motoristas de aplicativo, taxistas e outros trabalhadores autônomos, com recursos operados por bancos públicos e privados e garantias do FGO.

A expectativa inicial era ampliar o acesso ao crédito para uma parcela de trabalhadores com histórico limitado no sistema financeiro, com foco na renovação de frota e na formalização de renda.

Apesar do volume relevante de recursos disponibilizados, a adesão tem sido mais lenta. Os dados indicam que, no caso das motocicletas, o número de operações contratadas ficou aquém do potencial estimado pelo governo.

Questionado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) avaliou que a medida é recente e demanda tempo.

“Trata-se de um programa novo, com poucos meses em operação e que envolve vários agentes além do governo – montadoras, concessionárias, bancos e plataformas de aplicativos, além dos próprios beneficiários. Como toda política pública inovadora, essa também demanda tempo de maturação e assimilação”, afirmou.

Quem pode acessar a nova linha de crédito

  • Entregadores de aplicativos, motofretistas e mototaxistas que utilizam a moto como instrumento de trabalho;

  • Financiamento é destinado a pessoas físicas, com limite de até um contrato por CPF;

  • Valor máximo de financiamento é de até R$ 30 mil, limitado ao preço do veículo;

  • Taxas de juros são de 11,5% ao ano para mulheres e 12,5% ao ano para homens;

  • Prazo de pagamento pode chegar a 48 meses, com até dois meses de carência para início das parcelas.

A linha destinada especificamente aos entregadores foi estruturada com taxas de juros inferiores às praticadas no mercado, prazos mais longos e possibilidade de carência.

Ainda assim, fatores como exigências de crédito, comprovação de renda e integração entre plataformas digitais e instituições financeiras têm sido apontados como entraves à expansão do programa.

Além disso, problemas operacionais também afetaram a implementação. O desempenho da linha de motos contrasta com outras frentes do Move Brasil, que registraram maior volume de contratações, especialmente no segmento de automóveis, mas também abaixo do esperado.

No caso específico dos entregadores, a política busca ampliar o acesso a financiamento em um segmento caracterizado por informalidade e restrições de crédito.

A aquisição de motocicletas é considerada estratégica para aumentar a produtividade e reduzir custos operacionais desses trabalhadores, especialmente em plataformas de entrega.

Nova lei

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a lei que torna o Move Brasil permanente busca dar previsibilidade ao programa e ampliar sua escala ao longo do tempo. Inicialmente o programa estava instituído por Medida Provisória (MP).

A medida, segundo o governo, também reforça o papel da política como instrumento de estímulo econômico, ao movimentar a cadeia automotiva e facilitar a aquisição de veículos por trabalhadores do setor de mobilidade.

Apesar disso, o ritmo de execução segue como principal desafio. Internamente, segundo membros da equipe econômica, o governo avalia que a tendência é de aceleração nos próximos meses, à medida que parcerias com plataformas digitais e ajustes operacionais reduzam a burocracia.

Quais veículos podem ser financiados

O programa permite o financiamento de motocicletas, motonetas e ciclomotores novos, desde que os veículos sejam produzidos no país e atendam aos critérios técnicos definidos pelo governo.

Entre as exigências, estão modelos com motorização de até 160 cilindradas no caso das versões a combustão, que devem ser do tipo flex.

A lista de veículos elegíveis é composta principalmente por modelos de entrada e intermediários, que concentram a oferta inicial do programa. Entre os exemplos estão motos como CG 160, Biz 125 e Factor 150, além de versões voltadas ao uso profissional, como modelos cargo.

Além dos modelos a combustão, o programa também inclui motocicletas e ciclomotores elétricos, desde que sejam novos e tenham fabricação nacional ou estejam vinculados a projetos industriais aprovados no país.

Essa inclusão busca incentivar a adoção de veículos com menor custo operacional e menor emissão de poluentes.

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