A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), o Ministério da Saúde e as Secretarias Municipais de Saúde de Arapiraca e Rio Largo inauguraram, na quinta (5) e nesta sexta-feira (6), insetários municipais para incorporação da tecnologia Wolbachia. A iniciativa integra as estratégias de enfrentamento às arboviroses e utiliza mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika e chikungunya no inseto, contribuindo para reduzir a transmissão dessas doenças aos humanos.
Em Arapiraca, o insetário está localizado no bairro Baixa Grande, enquanto que, em Rio Largo, ele fica no Laboratório de Endemias, no Loteamento Vila Rica. Desde 2015, o método passou a integrar as diretrizes nacionais de controle e prevenção das arboviroses do Brasil, por introdução da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, em parceria com o World Mosquito Program (WMP).
O método consiste na liberação controlada dos ovos dos mosquitos com Wolbachia nas áreas definidas pelo projeto. Ao se reproduzirem, as fêmeas transmitem a bactéria às gerações seguintes, favorecendo seu estabelecimento na população local de mosquitos ao longo do tempo. Os Wolbitos não são transgênicos e a estratégia não envolve modificação genética dos mosquitos e nem inseticidas como mecanismo de atuação.
O coordenador do Programa de Controle de Zoonoses da Sesau, Cláricio Bugarim, destacou a importância da implantação da tecnologia Wolbachia em Alagoas e classificou a inauguração dos insetários de Rio Largo e Arapiraca como um marco para a Rede de Saúde Pública do Estado.
“A estratégia Wolbachia é uma iniciativa extremamente importante e já consolidada nas políticas públicas de saúde para o controle do Aedes aegypti. Por meio dessa tecnologia, conseguimos reduzir em até 90% os casos de dengue, zika e chikungunya no Brasil”, ressaltou.
Claricio Bulgarim ressaltou ainda que a chegada da tecnologia não substitui as ações tradicionais de combate ao mosquito, como a eliminação de criadouros e outras medidas de controle executadas pelo município e pelo Estado.
“Para o morador, a rotina continua a mesma. Ele vai continuar encontrando mosquitos no ambiente, mas a diferença é que o Aedes aegypti com Wolbachia não consegue transmitir as arboviroses. É um trabalho complementar às demais estratégias de prevenção”, afirmou.
O gerente de Implementação da Wolbitos do Brasil, empresa que desenvolve o Método Wolbachia no País, Gabriel Sylvestre, explicou que a estrutura inaugurada possui cápsulas com ovos dos mosquitos com Wolbachia, que serão criados até a fase adulta. Semanalmente, equipes farão a liberação dos insetos em bairros previamente selecionados, contemplando pouco mais da metade do município, especialmente as áreas consideradas prioritárias para o controle da dengue.
“Quando esses mosquitos são liberados em campo, eles se reproduzem com os que já estão no ambiente e seus filhotes também nascem com Wolbachia. Assim, semana após semana, vamos substituindo gradualmente a população de mosquitos que não possui a bactéria por outra que não consegue transmitir essas doenças”, enfatizou Gabriel Sylvestre.
Ainda segundo ele, a tecnologia utiliza uma bactéria naturalmente presente em cerca de 60% dos insetos e que, quando introduzida no Aedes aegypti, impede o desenvolvimento dos vírus responsáveis por doenças como dengue, zika e chikungunya.
“É uma forma natural e segura de reduzir a transmissão dessas doenças, sem causar danos às pessoas, aos animais ou ao meio ambiente”, destacou.
Rio Largo
O secretário de Saúde de Rio Largo, Ricardo Lucas Albuquerque, ressaltou a importância da chegada da tecnologia ao município, que será incorporada às ações já desenvolvidas pelas equipes de Vigilância em Saúde e pela rede municipal.
“A implantação da Wolbachia representa um avanço importante para a saúde pública de Rio Largo. Estamos integrando essa nova estratégia ao trabalho que já realizamos, fortalecendo as ações de prevenção e controle das arboviroses”, destacou.
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