Mais de 20 ministros devem deixar governo Lula para disputar eleições

Com eleições em vista, maioria dos auxiliares de Lula deixarão os cargos na Esplanada dos Ministérios até abril. Veja lista

Por Metrópoles 10 de Janeiro de 2026 às 10:14
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Mais de 20 ministros devem deixar governo Lula para disputar eleições
Imagem: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Com a aproximação das eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se prepara para uma ampla reformulação no primeiro escalão. A expectativa é que mais de 20 ministros deixem seus cargos nos próximos meses para concorrer a vagas nos governos estaduais, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Na maioria dos casos, a tendência é que as pastas passem a ser comandadas interinamente pelos secretários-executivos.

As mudanças devem se consolidar em até três meses. Pela legislação eleitoral, agentes públicos que pretendem disputar cargos distintos daqueles que ocupam atualmente precisam se desincompatibilizar até seis meses antes do pleito. Para as eleições de 2026, o prazo final termina em 4 de abril.

O foco do Palácio do Planalto é, além de reeleger Lula, ampliar a base eleitoral, principalmente no Congresso Nacional, para melhorar a governabilidade e apoio nas casas legislativas em meio a um cenário que permanece desfavorável para a esquerda.

Durante a última reunião ministerial do ano, em dezembro, o petista pediu aos seus auxiliares que disputarão as eleições que “ganhem o cargo que vão disputar”.


Veja a lista de quem deve deixar o governo para disputar as eleições:

Executivo estadual


O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL), já decidiu que vai concorrer à reeleição ao governo de Alagoas. Ele comandou o estado por dois mandatos consecutivos, entre 2015 e 2022. Em 2022, foi eleito senador, mas se licenciou do cargo para assumir o ministério.

Senado


Ampliar a base de apoio no Senado é uma das principais preocupações de Lula para 2026, já que a Casa passará por uma renovação expressiva: 54 das 81 cadeiras estarão em disputa. Nesse contexto, a candidatura de ministros é vista no Planalto como uma estratégia para fortalecer o apoio ao presidente em um eventual quarto mandato.


O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT-BA), deve disputar uma vaga no Senado pela Bahia. Ele já exerceu os cargos de deputado federal e governador do estado.

O titular de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), também avalia deixar o governo para concorrer à Casa Alta, assim como Waldez Goés (PDT-AP), da Integração e do Desenvolvimento Regional.

A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), é cotada para disputar o Senado por São Paulo, mas, para isso, teria de transferir o domicílio eleitoral. A candidatura ainda não está definida, já que ela também é sondada para concorrer ao governo paulista.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, é outro nome ventilado para o Senado por São Paulo. Ainda há indefinição sobre a legenda, diante da possibilidade de saída da Rede. Ela tem sido sondada por PT, PSol e PSB.

Já os ministros Carlos Fávaro (PSD-MT), da Agricultura e Pecuária, e Alexandre Silveira (PSD-MG), de Minas e Energia, devem tentar a reeleição para o Senado por seus respectivos estados.

Câmara

Como mostrou o Metrópoles, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), já decidiu que disputará a reeleição à Câmara dos Deputados. Em 2022, a responsável pela articulação política do governo foi a segunda parlamentar mais votada no Paraná, com mais de 261 mil votos.

Também devem buscar novo mandato na Casa o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula (PSD-PE), e o titular do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT-SP). Wolney Queiroz (PDT-PE), da Previdência Social, tenta retornar à Câmara após seis mandatos consecutivos.

Outros ministros que devem concorrer a vagas na Câmara são Jader Filho (MDB-PA), das Cidades; Anielle Franco (PT-RJ), da Igualdade Racial; Macaé Evaristo (PT-MG), dos Direitos Humanos e da Cidadania; e Sônia Guajajara (PSol-SP), dos Povos Indígenas.

No PT, há expectativa de que a ministra da Cultura, Margareth Menezes, se filie ao partido para disputar uma vaga pela Bahia. A decisão ainda não foi tomada, mas a eventual filiação conta com o apoio direto do presidente Lula.

Quem sai, mas não disputa eleições

  • Além dos ministros que devem concorrer em 2026, algumas saídas do governo estão previstas mesmo sem intenção de disputar cargos eletivos.
  • É o caso do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, que deve deixar o cargo para coordenar o marketing da campanha de reeleição de Lula, repetindo o papel desempenhado em 2022.
  • A primeira baixa confirmada em 2026 foi a do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. Ele entregou a carta de demissão ao presidente nesta quinta-feira (8/1) e deixou o comando da pasta com o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto, enquanto Lula define o sucessor.
  • Lewandowski alegou motivos pessoais e familiares e afirmou a auxiliares que já cumpriu seu papel no Executivo.

Incertezas

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é a principal aposta do PT para disputar o governo de São Paulo ou uma vaga no Senado pelo estado. O entrave, porém, é a resistência do próprio petista em concorrer a cargos eletivos. Haddad tem afirmado que pretende se afastar da vida pública e atuar na coordenação da campanha de Lula a um eventual quarto mandato.

Como mostrou o Metrópoles, Haddad já sinalizou ao presidente que deseja deixar o cargo antes do fim do mandato. O tema, no entanto, é tratado sob reserva, e ainda não há uma data definida para a saída.

Apesar das declarações públicas de que não pretende disputar eleições, Haddad segue sendo pressionado pelo PT e pelo próprio Lula a se candidatar em 2026. No partido, ele é visto como um dos quadros mais próximos e leais ao presidente.

Situação semelhante envolve o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB). Ele ainda não definiu se entrará na disputa eleitoral, mas também é cotado para concorrer tanto ao governo paulista quanto ao Senado.

Alckmin e Haddad, por sua vez, disputam espaço com o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França (PSB), que trabalha para viabilizar sua candidatura ao governo de São Paulo, com ou sem o apoio de Lula.

No Ceará, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), avalia se deixará a pasta para retomar o mandato no Senado — para o qual foi eleito em 2022 — ou se voltará a disputar o governo estadual, cargo que ocupou entre 2015 e 2022.

Já o ministro do Esporte, André Fufuca (PP-MA), ainda não bateu o martelo sobre seu futuro político. Deputado federal desde 2014, ele estuda concorrer ao governo do Maranhão ou a uma vaga no Senado.