Lula anuncia revogação do visto de assessor de Trump
Segundo Lula, Beattie só poderá entrar no Brasil se ocorrer o mesmo com Padilha, nos EUA
Por Metrópoles
13 de Março de 2026 às 15:17
Imagem: Arte/Metrópoles
O presidente Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (13), que o assessor sênior do Departamento de Estado do governo de Donald Trump, Darren Beattie, está proibido de entrar no Brasil. O visto do norte-americano foi revogado pelo Itamaraty.
Beattie deveria chegar ao Brasil na próxima semana. Um dos compromissos previstos era uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, na Papudinha. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou a autorização para o encontro.
Beattie deveria chegar ao Brasil na próxima semana. Um dos compromissos previstos era uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, na Papudinha. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou a autorização para o encontro.
Segundo Lula, o funcionário de Trump para assuntos relacionados ao Brasil só entrará no país quando os EUA revogarem a sanção ao visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, bem como da esposa e da filha dele.
“Aquele cara americano que disse que viria para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que estão bloqueados”, disse Lula.
“Bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele de 10 anos, sabe? Então, Padilha, esteja certo de que você está sendo protegido”, completou o titular do Planalto.
A declaração foi dada durante a inauguração do Setor de Trauma do novo Hospital Federal do Andaraí (HFA), na região da Grande Tijuca, no Rio de Janeiro. Além de Padilha, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, a primeira-dama Janja Lula da Silva e outros ministros participaram da agenda.
Em nota enviada ao Metrópoles, o Palácio do Itamaraty citou outros motivos para revogação do visto de Darren Beattie. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o norte-americano omitiu informações ao solicitar entrada no Brasil.
“O Itamaraty confirma a revogação do visto, tendo em conta a omissão e o falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington. Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional”, diz nota.
Em agosto de 2025, a gestão Trump cancelou a visto da mulher e da filha de Padilha, de 10 anos.
“Aquele cara americano que disse que viria para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que estão bloqueados”, disse Lula.
“Bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele de 10 anos, sabe? Então, Padilha, esteja certo de que você está sendo protegido”, completou o titular do Planalto.
A declaração foi dada durante a inauguração do Setor de Trauma do novo Hospital Federal do Andaraí (HFA), na região da Grande Tijuca, no Rio de Janeiro. Além de Padilha, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, a primeira-dama Janja Lula da Silva e outros ministros participaram da agenda.
Em nota enviada ao Metrópoles, o Palácio do Itamaraty citou outros motivos para revogação do visto de Darren Beattie. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o norte-americano omitiu informações ao solicitar entrada no Brasil.
“O Itamaraty confirma a revogação do visto, tendo em conta a omissão e o falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington. Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional”, diz nota.
Em agosto de 2025, a gestão Trump cancelou a visto da mulher e da filha de Padilha, de 10 anos.
No mês seguinte, ele recebeu a autorização para ingressar no país para participar da reunião da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, mas acabou cancelando a ida, porque estava envolvido nas negociações para aprovar a medida provisória (MP) que instituiu o Programa Agora Tem Especialistas.
Beattie visitaria Bolsonaro
Beattie visitaria Bolsonaro
Nessa quinta-feira (12), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reformou a decisão que havia autorizado a visita de Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.
A mudança ocorre após Moraes receber do Itamaraty a informação de que Beattie não tem agenda diplomática no Brasil e que seu visto de entrada foi concedido apenas para um compromisso privado.
No ofício enviado pelo ministro Mauro Vieira ao STF, o chanceler destacou que a visita de Beattie a Bolsonaro poderia configurar “indevida ingerência” em assuntos internos do Brasil. “A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, pontuou.
No ofício enviado pelo ministro Mauro Vieira ao STF, o chanceler destacou que a visita de Beattie a Bolsonaro poderia configurar “indevida ingerência” em assuntos internos do Brasil. “A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, pontuou.
Na decisão, Moraes afirmou que, somente após o pedido de encontro com Bolsonaro ser protocolado na Corte, foram solicitadas pela Embaixada dos EUA em Brasília reuniões de Beattie perante o Ministério das Relações Exteriores, “inexistindo, até então, qualquer agenda diplomática previamente notificada a esta Pasta”.
Moraes menciona, ainda, outro compromisso informado apenas depois de o Supremo autorizar, em decisão inicial, a visita ao ex-presidente. “Em 11/3, em mensagem enviada por diplomata da Embaixada dos EUA por aplicativo de mensagens, solicitou-se o agendamento de encontro entre o Sr. Darren Beattie e o secretário de Europa e América do Norte, na tarde de 17/3. Uma agenda que também não está confirmada.”
De acordo com fontes da diplomacia brasileira, o Brasil utilizou o princípio da reciprocidade na decisão. No entendimento do governo, Beattie falseou e omitiu informações relevantes relacionadas ao motivo da visita ao Brasil. “Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional”, afirmou o Itamaraty.
Quem é o assessor de Donald Trump
Moraes menciona, ainda, outro compromisso informado apenas depois de o Supremo autorizar, em decisão inicial, a visita ao ex-presidente. “Em 11/3, em mensagem enviada por diplomata da Embaixada dos EUA por aplicativo de mensagens, solicitou-se o agendamento de encontro entre o Sr. Darren Beattie e o secretário de Europa e América do Norte, na tarde de 17/3. Uma agenda que também não está confirmada.”
De acordo com fontes da diplomacia brasileira, o Brasil utilizou o princípio da reciprocidade na decisão. No entendimento do governo, Beattie falseou e omitiu informações relevantes relacionadas ao motivo da visita ao Brasil. “Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional”, afirmou o Itamaraty.
Quem é o assessor de Donald Trump
Darren Beattie é um escritor conservador, com formação em ciência política. No primeiro mandato de Trump, era um dos responsáveis por escrever os discursos do republicano. Desde fevereiro, atua na área política do Departamento de Estado para o Brasil — ele foi nomeado no departamento em outubro passado.
Apesar disso, Beattie já exercia influência sobre a política do governo Trump para o Brasil desde o começo do atual mandato do republicano, em janeiro de 2025.
Em agosto do ano passado, o funcionário de Trump criticou fortemente Moraes, no contexto da aplicação da Lei Magnitsky contra o magistrado, afirmando em publicação que o ministro era o “principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores”. Posteriormente, as sanções da Magnitsky contra o ministro foram retiradas.
Em agosto do ano passado, o funcionário de Trump criticou fortemente Moraes, no contexto da aplicação da Lei Magnitsky contra o magistrado, afirmando em publicação que o ministro era o “principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores”. Posteriormente, as sanções da Magnitsky contra o ministro foram retiradas.
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